A Corregedoria prende cinco PMs após identificar indícios de irregularidades cometidas por agentes do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) durante a megaoperação realizada há um mês nos Complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio. A investigação teve como base as gravações das câmeras corporais utilizadas na ação, considerada a mais letal da história do país, com 122 mortos — entre eles cinco agentes de segurança e 117 suspeitos.
Segundo a Polícia Militar, foram cumpridos cinco mandados de prisão e outros dez de busca e apreensão nesta sexta-feira (28). Os detidos foram encaminhados para a sede da Corregedoria-Geral, no Centro do Rio, onde permanecem à disposição da Justiça. A corporação informou que não vai divulgar os nomes dos policiais e que os crimes atribuídos a eles ainda não foram detalhados.
A apuração é conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), responsável por analisar as imagens captadas durante a operação do dia 28 de outubro. Parte das gravações, no entanto, não foi registrada, já que a bateria dos dispositivos dura cerca de 12 horas — o que, segundo a própria PM, pode ter deixado lacunas importantes na reconstituição dos fatos.
A megaoperação permanece no centro de debates públicos devido ao alto número de mortes e à participação de agentes de elite que, em muitos casos, não portavam câmeras. O Ministério Público apontou que menos da metade dos policiais do Bope e da Core utilizou o equipamento, dificultando o controle da atuação das equipes.
Entre os mortos estão os sargentos do Bope Cleiton Serafim Gonçalves, de 42 anos, e Heber Carvalho da Fonseca, de 39, além dos policiais civis Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, conhecido como Máskara, Rodrigo Velloso Cabral, de 34, e Rodrigo Vasconcellos Nascimento, de 35. Do lado dos criminosos, 40 dos 117 mortos eram de outros estados, incluindo Espírito Santo, Goiás, Amazonas, Bahia e Pará.
Em nota, a PM reforçou que não compactua com desvios de conduta e garantiu que todos os envolvidos serão responsabilizados, caso as irregularidades sejam comprovadas. A investigação segue em andamento.














