A Polícia Civil do Rio deflagrou, nesta quarta-feira (20), uma operação contra um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 338 milhões em cinco anos. A ação, chamada Operação Tarja Oculta, investiga crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro ligados a valores que, segundo os agentes, teriam origem em golpes de clonagem de cartões de crédito.
Agentes da Delegacia de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro saíram às ruas para cumprir 39 mandados de busca e apreensão. Até a última atualização do caso, três carros de luxo e R$ 250 mil em espécie haviam sido apreendidos durante as diligências.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação começou após a apreensão de R$ 1 milhão em dinheiro vivo em uma agência bancária localizada em um shopping na Zona Sudoeste do Rio. A movimentação chamou a atenção de órgãos de inteligência financeira e também do setor de compliance da instituição bancária.
A partir desse episódio, os investigadores passaram a analisar transações bancárias, vínculos entre pessoas físicas e empresas, além de movimentações consideradas incompatíveis com a renda declarada de parte dos envolvidos.
Segundo a polícia, o grupo investigado seria formado por ao menos 25 pessoas físicas e cinco empresas. A suspeita é de que os envolvidos utilizassem empresas de fachada, laranjas, transferências bancárias sucessivas e saques em espécie para tentar ocultar a origem dos recursos.
Ainda conforme a investigação, depois de circular por diferentes contas e empresas, o dinheiro seria reinserido na economia formal com aparência de legalidade. Esse tipo de mecanismo é apontado pela polícia como uma das principais estratégias usadas em esquemas de lavagem de dinheiro.
Os Relatórios de Inteligência Financeira tiveram papel central na apuração. Os documentos indicaram intensa movimentação entre os investigados e operações que, segundo a polícia, não condiziam com a capacidade financeira declarada por alguns dos alvos.
A Operação Tarja Oculta também busca identificar a participação de cada investigado dentro da estrutura suspeita. A polícia quer entender quem controlava as empresas, quem fazia movimentações financeiras e quem era usado para ocultar a verdadeira origem dos valores.
Os investigadores afirmam que as diligências continuam para reunir documentos, aparelhos eletrônicos, registros bancários e outros materiais que possam reforçar a apuração. A análise do material apreendido deve ajudar a esclarecer o caminho do dinheiro e a ligação dos suspeitos com os crimes investigados.
A Polícia Civil segue apurando o caso para identificar todos os envolvidos e verificar se o grupo atuava em outras frentes além dos golpes de clonagem de cartões. A investigação permanece em andamento.














