MP questiona nomeações de parentes do prefeito de Itaguaí

Prefeitura de Itaguaí

O Ministério Público do Rio de Janeiro está investigando as nomeações de parentes do prefeito de Itaguaí na Câmara de Vereadores do município. O caso veio à tona após a promotora Fernanda Nicolau Leandro Terciotti, responsável pelo inquérito civil, solicitar à Casa Legislativa informações detalhadas sobre quatro pessoas supostamente ligadas ao prefeito interino Haroldinho de Jesus (PDT).

O pedido foi formalizado por meio de um ofício encaminhado nesta semana à presidência da Câmara. A promotora quer esclarecimentos sobre os vínculos e as funções exercidas por Roberto, Rose, Rodrigo e Pierre — todos apontados como familiares diretos ou indiretos do chefe do Executivo municipal.

Segundo apuração do jornal Extra, Roberto é tio do prefeito Haroldinho, assim como Rose, que também é identificada como tia. Já Rodrigo e Pierre seriam primos. Um detalhe que reforça as suspeitas do MP é que Pierre é filho da atual secretária municipal de Educação, Zélia Maria, que, por sua vez, é tia de Haroldinho.

A situação levanta questionamentos sobre um possível caso de nepotismo cruzado, prática em que autoridades nomeiam parentes para cargos em órgãos diferentes visando burlar a legislação que proíbe favorecimento direto dentro da própria esfera de poder.

O Ministério Público não comentou publicamente o andamento da investigação, mas fontes ouvidas indicam que, a depender das respostas da Câmara, o inquérito pode avançar para uma ação judicial. Caso fique comprovado o favorecimento indevido, os envolvidos podem responder por improbidade administrativa, com penas que incluem multa, perda da função pública e suspensão dos direitos políticos.

A Prefeitura de Itaguaí, por sua vez, informou em nota que não comenta decisões e contratações feitas no âmbito do Poder Legislativo, destacando o respeito à independência dos poderes. A gestão municipal limitou-se a afirmar que está apta a se pronunciar apenas sobre assuntos ligados ao Executivo.

A Câmara de Vereadores ainda não se manifestou sobre o ofício recebido, tampouco confirmou oficialmente a existência dos vínculos familiares entre os servidores e o prefeito. Contudo, nos bastidores, o tema já provoca desconforto entre parlamentares e servidores de carreira, que temem os impactos institucionais de uma possível denúncia formal.

Especialistas ouvidos por juristas locais reforçam que a prática de nepotismo cruzado, embora mais difícil de provar, é considerada tão grave quanto a nomeação direta de parentes. O entendimento do Supremo Tribunal Federal é de que essa conduta fere os princípios da moralidade e da impessoalidade na administração pública, garantidos pela Constituição Federal.

No contexto político, a investigação também surge em um momento delicado para Haroldinho de Jesus, que assumiu interinamente a prefeitura após instabilidades na gestão anterior. A suspeita de favorecimento a parentes pode comprometer a imagem da atual administração, principalmente às vésperas de decisões importantes sobre o futuro político do município.

A promotora Fernanda Nicolau aguarda a resposta oficial da Câmara para definir os próximos passos do inquérito. Caso a Casa Legislativa confirme a presença dos quatro servidores e o vínculo familiar com o prefeito, o Ministério Público poderá recomendar a exoneração imediata dos envolvidos e a abertura de ação de improbidade administrativa.

A população de Itaguaí acompanha com atenção os desdobramentos do caso. O histórico recente da política local já inclui episódios de denúncias e trocas de comando, o que reforça o clima de instabilidade institucional.

A expectativa é de que a Câmara se pronuncie oficialmente até o início da próxima semana, quando deverá encaminhar os documentos solicitados pelo MP e apresentar justificativas sobre os critérios adotados para as nomeações questionadas.

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