O TJ-RJ afasta Ednaldo Rodrigues da CBF, em decisão publicada nesta quinta-feira (15) pelo desembargador Gabriel de Oliveira Zefiro. O tribunal também nomeou o vice-presidente da entidade, Fernando Sarney, como interventor para conduzir a realização de novas eleições “o mais rápido possível” para a formação de uma nova diretoria. A medida marca mais um capítulo turbulento na política interna da Confederação Brasileira de Futebol.
A decisão foi tomada após a apresentação de um laudo grafotécnico que coloca em dúvida a veracidade da assinatura de Antônio Carlos Nunes Lima, o Coronel Nunes, em um acordo judicial homologado em fevereiro no Supremo Tribunal Federal. O documento havia encerrado disputas judiciais internas na CBF, e sua validade foi contestada por Sarney, que entrou com a solicitação no Tribunal de Justiça do Rio no início desta semana.
Ednaldo Rodrigues, atualmente no Paraguai participando do 75º Congresso da Fifa, já foi notificado da decisão. Apesar disso, a CBF ainda não se manifestou oficialmente sobre o afastamento. A defesa do dirigente pode recorrer da medida ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O pedido de Fernando Sarney baseou-se em suspeitas de vício de consentimento no processo judicial que validava o mandato de Ednaldo. O ponto central é a assinatura de Nunes no acordo. A perícia, solicitada pelo vereador Marcos Dias (Podemos-RJ), apontou que não é possível confirmar que a assinatura é de autoria do ex-presidente da CBF.
De acordo com o parecer técnico, “a convicção que se pode depreender de todas as características observadas e considerando todas as limitações intrínsecas ao presente exame é de não identificação do punho periciado de Antônio Carlos Nunes de Lima”. Esse parecer levantou dúvidas sobre a lisura do documento e fundamentou a ação judicial que levou ao afastamento de Ednaldo.
Além do parecer grafotécnico, o desembargador Zefiro destacou outros elementos que colocam em xeque a condição de Nunes para assinar o acordo. Entre eles, um laudo médico datado de junho de 2023 que atesta “déficit cognitivo” e o diagnóstico de neoplasia cerebral maligna e cardiopatia grave desde 2018. Também pesa contra a autenticidade da assinatura o fato de Nunes ter outorgado uma procuração, no dia seguinte ao laudo, para terceiros administrarem suas finanças.
O magistrado ainda convocou Nunes para uma audiência na última segunda-feira (13), mas foi informado de que o ex-dirigente não compareceria por não se sentir bem de saúde. Com isso, o desembargador cancelou a oitiva e avançou com a decisão.
Com o TJ-RJ afastando Ednaldo Rodrigues da CBF, abre-se agora um novo cenário para o futebol brasileiro. Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney e figura de longa trajetória nos bastidores da entidade, terá a responsabilidade de comandar a transição e organizar as novas eleições.
Nos bastidores, a decisão dividiu opiniões. Para parte dos dirigentes, trata-se de uma correção necessária para garantir lisura ao processo de gestão da CBF. Já outros alegam que o afastamento pode abrir precedentes perigosos de judicialização interna no futebol brasileiro.
A Fifa, entidade máxima do futebol mundial, tem histórico de intervenção em federações nacionais quando há interferência do poder judiciário em suas gestões. Ainda não se sabe se a decisão do TJ-RJ motivará qualquer reação por parte da organização internacional.
Enquanto isso, os olhos seguem voltados para o STJ e o STF, que poderão ser acionados nos próximos dias. A defesa de Ednaldo deve tentar suspender os efeitos da decisão liminar do TJ-RJ e garantir sua permanência à frente da confederação.
A novela sobre o comando da CBF ainda não terminou, mas o capítulo de hoje marca uma reviravolta importante e pode redefinir os rumos da principal entidade do futebol brasileiro.














