Carcaças de carros são achadas no Rio Acari e expõem crime na Zona Norte

Uma operação de limpeza no Rio Acari, perto do Complexo da Pedreira, na Zona Norte do Rio, revelou uma cena impressionante nesta semana. Uma retroescavadeira retirou diversas carcaças de carros de dentro da água, evidenciando o descarte ilegal de veículos roubados na região.

Retroescavadeira retira veículos submersos e expõe ação de criminosos no Rio Acari

Imagens registradas por quem passava pelo local mostram o momento em que a máquina pesada puxa os destroços do leito do rio. Vários automóveis totalmente destruídos foram empilhados na margem, enquanto outras estruturas de ferro continuavam visíveis e submersas no espelho d’água.

O acúmulo de sucata no local reforça a principal linha de investigação de moradores e autoridades locais: o leito do canal vem sendo utilizado por criminosos que atuam na favela da Pedreira como depósito para descarte de carros roubados ou furtados na Zona Norte e na Baixada Fluminense.

Quem vive na região convive diariamente com o medo e com os impactos ambientais do abandono. Além da questão da segurança pública, o lixo de grande porte e o acúmulo de carcaças prejudicam o fluxo das águas do Rio Acari, aumentando o risco de transbordamento nos períodos de chuva forte.

O que muda para quem mora na região do Acari e da Pedreira

Para a população local, a presença das carcaças traz transtornos que vão muito além da violência. O acúmulo de ferragem retém detritos, assoreia o canal e impede a dragagem adequada realizada pelos órgãos públicos. Em dias de tempestade, a água retida invade ruas e casas nos bairros do entorno, como Acari, Pavuna e Costa Barros.

Além disso, os veículos velhos expostos no solo acumulam água parada, criando criadouros perfeitos para o mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chikungunya. O cheiro forte de óleo e combustível derramado na água também afeta a qualidade de vida de quem reside perto da calha do rio.

A rotina do trânsito na Avenida Pastor Martin Luther King Jr. e nas vias de acesso costuma ser impactada quando máquinas pesadas precisam operar perto da pista para puxar os destroços de grande porte. A promessa dos órgãos públicos é manter a fiscalização para evitar que o ponto continue sendo usado como descarte ilícito.

Como denunciar veículos abandonados e atividades suspeitas

Se você desconfia de um veículo abandonado na sua rua ou presenciou a movimentação de criminosos descartando material no rio, é fundamental comunicar as autoridades. As denúncias podem ser feitas de forma totalmente anônima, garantindo a sua segurança.

  • Disque Denúncia do Rio: Ligue para o número (21) 2253-1177. O atendimento funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. O sigilo é absoluto.
  • Aplicativo Disque Denúncia RJ: Disponível para celulares Android e iOS, permite enviar fotos e localizações exatas do problema.
  • Central da Prefeitura (1746): Para pedir a vistoria e a remoção de carros abandonados em vias públicas que não envolvam situação imediata de crime, o cidadão pode ligar para o número 1746 ou acessar o site oficial do serviço.
  • Delegacia da Área: Casos de roubo e furto de veículos no local são investigados pela 39ª DP (Pavuna) ou pela 31ª DP (Ricardo de Albuquerque).

O que fazer se o seu carro foi roubado ou furtado

Motoristas que tiveram seus veículos levados por criminosos na Zona Norte ou na Baixada Fluminense devem registrar o boletim de ocorrência o mais rápido possível. Isso ajuda na identificação do bem caso a estrutura seja localizada pelas equipes de remoção do Governo do Estado ou da Prefeitura.

O registro pode ser feito presencialmente em qualquer Delegacia de Polícia Civil ou pela internet, por meio do portal da Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Tenha em mãos a placa do carro, a marca, o modelo, o número do chassi e a data aproximada do fato.

Quando a polícia encontra o chassi ou o número do motor nas carcaças retiradas dos rios, os dados são cruzados com os registros de roubo para dar baixa no sistema e notificar as seguradoras ou os proprietários cadastrados.

Quem responde pelo trabalho de limpeza e pela segurança no local

A remoção e a manutenção dos rios estaduais e canais do Rio de Janeiro são de responsabilidade do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e do Governo do Estado, muitas vezes atuando em parceria com a Secretaria Municipal de Conservação da Prefeitura do Rio.

Já o policiamentoOstensivo e o combate ao roubo de veículos no entorno do Complexo da Pedreira cabem ao 41º Batalhão de Polícia Militar (Irajá). A Polícia Civil faz o trabalho de inteligência para identificar e prender as quadrilhas especializado em desmanche que operam naquela região.

Procurados para comentar sobre o caso específico das carcaças no Rio Acari, os órgãos informaram que os trabalhos de dragagem e limpeza prosseguem na área até que o canal esteja desobstruído. A Polícia Militar informou que mantém operações diárias para combater o roubo de cargas e de automóveis nos acessos da comunidade.

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