A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15), a Operação Traidor, com o objetivo de desarticular uma quadrilha de falso investimento responsável por enganar dezenas de vítimas com promessas de retornos financeiros elevados. O grupo é liderado por um ex-policial militar, que teria acumulado cerca de R$ 20 milhões por meio do esquema.
As ações da operação ocorreram em diferentes bairros da capital, com o cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão em endereços localizados na Barra da Tijuca, no Recreio dos Bandeirantes e em Magalhães Bastos. A operação foi conduzida pela Delegacia de Combate aos Crimes Contra o Consumidor (Decon), que reuniu provas ao longo dos últimos meses.
De acordo com as investigações, o ex-PM utilizava sua antiga posição como agente de segurança para conquistar a confiança de servidores públicos, colegas de farda e até mesmo policiais de elite. A promessa era simples e tentadora: investir em aplicações de alto rendimento, com retorno rápido e garantido. Na prática, porém, o dinheiro era desviado e os investidores jamais recebiam retorno.
Entre os prejudicados está um agente do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), considerado um dos grupos mais respeitados da Polícia Militar fluminense. Segundo os policiais, o ex-PM se aproveitava da relação de confiança e da aparência de legalidade para aplicar os golpes, o que agravou o número de vítimas.
Para tentar amenizar os danos causados, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias no valor de R$ 698 mil, como forma de resguardar os direitos dos lesados e possibilitar uma eventual restituição financeira. No entanto, o valor ainda é pequeno frente ao prejuízo total, estimado em cerca de R$ 20 milhões.
O principal alvo da operação deixou o país. Segundo a Polícia Civil, ele se mudou para Londres com a intenção de escapar da responsabilização criminal. Ainda assim, as autoridades brasileiras já estão em contato com o governo britânico, em busca de cooperação internacional que possa viabilizar sua extradição.
A Polícia Militar, em nota, informou que o investigado foi desligado da corporação em março de 2021 e reiterou que não compactua com desvios de conduta. “A PM pune com rigor qualquer envolvimento de seus membros em práticas ilícitas”, afirmou o comunicado.
A delegada responsável pelas investigações, cujo nome não foi divulgado, destacou a importância da operação para conter golpes que exploram a boa-fé das pessoas. Ela alertou para que os cidadãos desconfiem de promessas de lucro fácil e se informem antes de realizar qualquer tipo de investimento.
Além dos mandados e do bloqueio de bens, a Polícia Civil segue mapeando as ramificações do esquema, que pode ter envolvimento de outros comparsas e até instituições que facilitavam a movimentação dos valores obtidos ilegalmente.
A operação também acendeu um alerta nas forças de segurança sobre o uso da farda ou de ex-funcionários públicos como fachada para fraudes. Casos semelhantes têm sido registrados em outros estados, com ex-servidores usando cargos anteriores para aplicar golpes sofisticados e com aparência de legalidade.
Com o avanço da investigação, novas diligências devem ser realizadas nos próximos dias, inclusive fora do estado. A Polícia Civil solicita que outras possíveis vítimas procurem a Decon para registrar boletim de ocorrência e colaborar com o inquérito.














