Uma morte em operação na Maré envolvendo o vendedor de queijos traz caso para investigação após amigos e familiares de Bruno Paixão afirmarem que ele trabalhava quando foi atingido durante a ação policial desta quarta-feira (26), no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio. A morte causou revolta entre moradores e desencadeou protestos que, em alguns momentos, chegaram a interromper a Linha Amarela. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a kombi onde ele estava, perfurada por tiros e com manchas de sangue, além dos queijos que continuavam no interior do veículo.
Durante a manifestação, moradores cobriram o veículo com cartazes pedindo justiça e acusando a polícia de ter matado um trabalhador da comunidade. A versão oficial, porém, aponta outro cenário. Segundo a Polícia Civil, a operação foi deflagrada após informações de que traficantes da Vila do João, área dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP), planejavam invadir a Nova Holanda, território do Comando Vermelho (CV). O avanço do confronto provocou o fechamento temporário da Linha Amarela no sentido Fundão.
De acordo com os investigadores, três suspeitos foram mortos durante troca de tiros e eram apontados como seguranças de uma liderança criminosa da Maré. Um homem foi preso, e armas como dois fuzis e pistolas foram apreendidas. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), responsável por investigar mortes decorrentes de intervenção policial, confirmou que o corpo de Bruno Paixão foi identificado no Instituto Médico Legal ainda na quarta-feira e que os parentes foram comunicados.
A nota da Polícia Civil informa que diligências estão em andamento para esclarecer todas as circunstâncias relacionadas às mortes registradas na ação policial. Enquanto isso, moradores relataram momentos de tensão em diferentes áreas da Maré, incluindo a Nova Holanda e a Vila do João.
O confronto também deixou um menino de 12 anos baleado na perna dentro do Ciep Hélio Smidt, ao lado do 22º BPM. Ele participava de uma atividade escolar no pátio quando foi atingido. O estudante foi socorrido por moradores e funcionários, levado à Clínica da Família Jeremias Moraes da Silva e depois transferido para o Hospital Getúlio Vargas, onde permanece estável.
Outro disparo atingiu uma sala do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) da UFRJ, no campus do Fundão, que suspendeu as aulas nos turnos da tarde e da noite. Alunos registraram ainda o momento em que um helicóptero da Polícia Civil pousou no gramado da universidade. Segundo a corporação, o pouso foi estratégico e a aeronave não sofreu danos.
Agentes da inteligência identificaram que traficantes fortemente armados se preparavam para invadir uma comunidade rival, o que levou à intervenção da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). A corporação afirma que o objetivo era impedir um confronto de grandes proporções entre facções, mas a operação terminou com mortos, feridos e o caso sob apuração formal.














