No coração do Centro do Rio, uma megaloja ocupa antiga agência da Caixa, simbolizando a transformação econômica e cultural da região. O espaço, localizado na esquina das avenidas Rio Branco e Almirante Barroso, abrigava até 2018 a maior agência da Caixa Econômica Federal no país. A informação é de Geraldo Ribeiro, do jornal Extra.
Desde o final de 2022, o local dá lugar à “Melhor das Lojas”, um grande magazine que comercializa produtos populares — de armarinho, papelaria e brinquedos a bijuterias e presentes. A mudança de atividade comercial reflete o esvaziamento financeiro do Centro, que viu dezenas de agências bancárias fecharem suas portas nos últimos anos.
O prédio em questão é o Edifício Almirante Barroso, também conhecido como “Barrosão”, um arranha-céu de 31 andares inaugurado em 1957. Durante décadas, funcionou como sede carioca da Caixa Econômica. Seu projeto foi concebido pelos arquitetos Paulo Mourão, J.A. Tiedemann e Ney Gonçalves, vencedores de concurso promovido pelo banco.
Apesar da mudança radical na finalidade do espaço, elementos artísticos do prédio foram preservados. As colunas de estilo neo-colombianas, assinadas pelo artista Espinoza, permanecem na estrutura, embora muitas fiquem escondidas atrás de prateleiras da loja. Um grande mural de Bandeira de Mello, pintado em 1969, também segue presente.
Segundo Geraldo Ribeiro, do jornal Extra, o espaço pertence atualmente ao BTG Pactual e foi alugado ao grupo “Casas da Mamãe”, responsável pela loja “Melhor das Lojas”. A localização privilegiada — próxima ao metrô, ao VLT e a diversos pontos de ônibus — torna o local estratégico para o comércio popular.
Nem todos, porém, encaram a mudança com entusiasmo. “Esse prédio tem uma localização privilegiada por ficar perto da saída de uma estação de metrô, próximo ao VLT e a diversos pontos de ônibus. É também uma região com muitas empresas e lojas. A gente entende a importância de um estabelecimento comercial. Mas creio que se continuasse como banco seria mais útil”, afirmou o comerciante Jordélio Pimentel, de 66 anos, dono de uma loja de eletrônicos nas proximidades.
O prédio já abrigou também o antigo Centro Cultural da Caixa, que reunia diversas atividades culturais: um teatro de arena com mais de 200 lugares, dois cinemas, três galerias de arte, uma livraria e salas para oficinas e ensaios. Até um piano público estava disponível para quem quisesse tocar espontaneamente.
Após o fechamento do centro cultural, parte das atividades foi transferida para um imóvel da Caixa na Rua das Marrecas, no Passeio. Já as apresentações teatrais e musicais passaram a ser realizadas no Teatro Nelson Rodrigues, na Avenida Chile, também vinculado à instituição.
Para quem frequentava a antiga estrutura com outros olhos, o sentimento é de perda. “Gostava mais quando era agência bancária e centro cultural. Servia mais à cidade”, comentou a designer Gisela Machado, de 30 anos.
A ocupação da antiga agência por uma megaloja representa, para muitos, mais do que uma simples troca de atividade comercial. É um retrato da transformação do Centro do Rio de Janeiro, onde o desaparecimento de instituições financeiras e culturais dá lugar ao comércio popular, alterando não apenas o uso dos espaços, mas também a identidade histórica da região.














