Fábrica de cigarros ligada ao Adilsinho tem capacidade de abastecer todo o estado

Fábrica de cigarros ligada ao Adilsinho

Uma operação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Civil do Rio de Janeiro desmantelou uma fábrica de cigarros ligada ao Adilsinho, instalada em Vigário Geral, Zona Norte do Rio. De acordo com reportagem de Henrique Barbi e Vera Araújo, do jornal Extra, o local operava com maquinário industrial e capacidade para abastecer todo o mercado ilegal do estado.

Durante a ação, os agentes resgataram 22 trabalhadores paraguaios em situação análoga à escravidão. A investigação apontou que a mão de obra era trazida do exterior para atuar em condições degradantes, com alojamentos precários e exposição contínua ao ruído das máquinas. Cinco brasileiros foram presos em flagrante, suspeitos de atuar como supervisores da operação clandestina.

A estrutura da fábrica impressionou os policiais pela variedade de marcas de cigarro falsificadas, o volume de insumos e a sofisticação do maquinário. O delegado Felipe Montes, da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio e ao Tráfico de Armas da Polícia Federal, afirmou que a operação teve apoio da FICCO/RJ (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) e do Ministério Público Federal, por meio do GAECO.

Segundo as investigações, o esquema tinha ligação direta com Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, alvo de diversas operações por envolvimento com a máfia dos cigarros. Apesar de já ter um mandado de prisão expedido desde março, ele segue foragido.

As autoridades informaram que os responsáveis podem responder por uma série de crimes, incluindo tráfico internacional de pessoas, trabalho escravo, organização criminosa, crime contra a saúde pública, falsificação de produtos, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e corrupção.

Em nota conjunta, as forças de segurança explicaram que o tráfico de trabalhadores paraguaios para fábricas clandestinas no Brasil é uma prática recorrente. “Essa mão de obra especializada é bastante comum naquele país, o que torna essas vítimas vulneráveis a esse tipo de exploração”, diz o documento.

Os trabalhadores resgatados foram conduzidos à Superintendência da Polícia Federal, escoltados em duas vans da Polícia Civil. Eles estão sob avaliação das autoridades migratórias e sociais, podendo optar por regularizar a permanência no Brasil ou retornar ao Paraguai.

“Ao deflagrar a operação, constatamos que eles eram mantidos em condições de higiene precária, num alojamento péssimo, quente, com baixa circulação de ar, fora o barulho das máquinas. Uma situação degradante e insalubre”, relatou Leandro Artiles, delegado da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil.

O material apreendido, incluindo equipamentos e insumos, foi encaminhado ao Depósito da Receita Federal, onde passará por perícia técnica. A expectativa é que os dados coletados ajudem a aprofundar a investigação sobre a rede criminosa.

A fábrica de cigarros ligada ao Adilsinho representa apenas uma das frentes da organização, que atua em várias regiões e movimenta milhões no comércio ilegal de tabaco. A Polícia Federal agora trabalha na identificação de demais integrantes do esquema e no rastreamento do fluxo financeiro da quadrilha.

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