Habeas corpus negado para PM e família de Marcinho VP

Márcia

A decisão sobre habeas corpus Marcinho VP manteve presos e foragidos investigados por envolvimento com organização criminosa no Rio de Janeiro. A Justiça negou os pedidos apresentados pelas defesas de um policial militar, de uma mulher e de um sobrinho ligados ao traficante.

A negativa ocorreu nesta segunda-feira (16), quando o Tribunal de Justiça do Rio rejeitou os pedidos de soltura de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, de Landerson Lucas dos Santos e do policial militar Reuel de Almeida Silva Fernandes. Os três foram alvos da operação Contenção Red Legacy, realizada pela Polícia Civil contra o Comando Vermelho.

As defesas tentaram incluir os investigados na decisão liminar que havia beneficiado o vereador Salvino Oliveira (PSD), que teve a prisão temporária revogada dias antes. No entanto, o desembargador Marcus Basílio, da 7ª Câmara Criminal, entendeu que não havia base legal para estender o benefício.

“O que é fato é que a extensão do benefício requerido reclama identidade de situações fático-jurídicas entre os envolvidos, estando a decisão que se pretende estender escorada em circunstâncias fáticas relativas exclusivamente ao paciente”, diz o trecho da decisão.

Segundo o magistrado, a análise feita no caso do vereador considerou elementos específicos do processo, que não se aplicam aos demais investigados. Ele destacou que os indícios envolvendo o parlamentar foram considerados frágeis, baseados em menções indiretas.

Já em relação aos outros envolvidos, as investigações apontam uma atuação mais consistente dentro da estrutura da organização criminosa. Márcia, por exemplo, é apontada como peça ativa na articulação do grupo fora do sistema prisional.

Ela é esposa de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, considerado um dos principais líderes históricos da facção. Mesmo preso em unidade federal, ele ainda exerceria influência sobre decisões do grupo, segundo a polícia.

De acordo com as investigações, Márcia atuaria na intermediação de interesses da organização, facilitando a comunicação entre integrantes e operadores externos. Desde a operação, ela é considerada foragida.

Já Landerson, sobrinho de Marcinho VP, é apontado como elo entre lideranças da facção e pessoas envolvidas em atividades econômicas ligadas ao grupo, como serviços e imóveis.

O policial militar Reuel também é investigado por suspeita de participação no esquema criminoso, reforçando a complexidade da estrutura da organização.

As apurações indicam que a presença de familiares na dinâmica do grupo ajuda a manter a organização ativa, mesmo com lideranças presas há anos.

Outro nome citado nas investigações é o do trapper Mauro Davi Nepomuceno dos Santos, conhecido como Oruam, filho de Marcinho VP. Ele responde a outro processo e também é considerado foragido após descumprir medidas judiciais.

Segundo as autoridades, a atuação de familiares e aliados próximos seria uma estratégia para manter a rede de comunicação e operação da facção funcionando fora das prisões.

O caso segue sob investigação, e novas medidas podem ser adotadas pelas autoridades nos próximos dias.

E enquanto a Justiça mantém as prisões, o caso expõe como a estrutura dessas organizações segue ativa mesmo longe dos holofotes.

Limpatech