O tráfico de drogas na Lapa tem utilizado casarões históricos da região central do Rio como pontos estratégicos de venda, segundo investigação da Polícia Civil. A ação criminosa, de acordo com as autoridades, é comandada por lideranças do Comando Vermelho e afeta diretamente uma das áreas mais movimentadas e turísticas da cidade.
As atividades se concentram no entorno da Escadaria Selarón, entre a Travessa Mosqueira e a Rua Joaquim Silva, locais com grande circulação de turistas. Além da comercialização de entorpecentes, os criminosos também estariam explorando trabalhadores informais da região.
De acordo com o delegado Uriel Alcântara, responsável pelas investigações, camelôs que atuam na área são obrigados a pagar taxas ao tráfico para continuar trabalhando no local.
“A investigação levantou que criminosos estavam extorquindo os camelôs que atuam ali no entorno da escadaria realizando venda voltada para turistas. Aqueles camelôs estão sendo extorquidos, obrigados a pagamentos mensais e semanais para o tráfico de drogas por ordem do Abelha e do Piu”, explicou o delegado em depoimento ao jornal O Dia.
Segundo a polícia, os casarões são utilizados por oferecerem rotas de fuga facilitadas. Criminosos costumam instalar estruturas que dificultam a entrada rápida das equipes policiais, além de utilizarem saídas pelos fundos e telhados para escapar durante operações.
“Até um tempo atrás, eles instalavam portas de aço como se fossem verdadeiras barricadas e ali dentro eles ficavam à vontade, sem a possibilidade que a polícia ingressasse de forma rápida e sempre com possibilidade de fuga pelos fundos (…) Conforme as ações da polícia vão avançando, eles vão criando pontos de venda de droga itinerantes e vão migrando de um lugar para outro e trocando de casarões em processos constantes”, relatou o delegado em depoimento ao jornal O Dia.
As investigações apontam ainda que as drogas são preparadas em comunidades próximas, como o Fallet/Fogueteiro, e levadas para a Lapa, onde são vendidas diretamente ao público em esquema de grande rotatividade.
Durante a operação realizada nesta terça-feira (17), agentes prenderam suspeitos e apreenderam materiais relacionados ao tráfico. A ação contou com apoio de diferentes unidades policiais, incluindo equipes especializadas.
O esquema também envolve divisão de funções entre os criminosos, com integrantes responsáveis pela venda direta, conhecidos como “vapores”, e outros que atuam na coordenação e logística da operação.
Outro ponto que chamou atenção das autoridades foi o uso de violência para controle da atividade. Durante as investigações, a polícia teve acesso a imagens que mostram sessões de agressão contra dependentes químicos.
A operação é resultado de mais de um ano de investigação e levou à identificação de diversos integrantes da organização criminosa, muitos deles sem antecedentes criminais registrados.
A polícia segue em busca de outros envolvidos e mantém ações na região para tentar enfraquecer a atuação do grupo.
E enquanto a investigação avança, a realidade expõe como até pontos turísticos podem esconder um cenário bem diferente do que os visitantes imaginam.














