Vereador do PL é preso por crimes sexuais após denúncias de estupro e importunação envolvendo mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica. A prisão foi decretada pela 1ª Vara Criminal de Piracicaba, no interior de São Paulo, com base nos relatos de ao menos seis vítimas que formalizaram acusações contra o parlamentar Cássio Luiz Barbosa, conhecido como Cássio Fala Pira.
Segundo a decisão da juíza Ana Claudia Madeira de Oliveira, os depoimentos registrados na Polícia Civil e encaminhados ao Ministério Público de São Paulo revelam um padrão de condutas ilícitas, que incluem abordagens, chantagens, constrangimentos e violência sexual. As mulheres relataram que o vereador se aproveitava de sua influência política e da fragilidade emocional, financeira ou profissional das vítimas como forma de pressão para obter favores sexuais.
As supostas vítimas enfrentavam situações como desemprego, problemas de saúde e envolvimento em ações comunitárias ou emergenciais, o que as colocava em contato direto com o vereador. De acordo com os relatos, além de promessas de ajuda, ele teria insinuado que benefícios só seriam concedidos caso houvesse alguma contrapartida íntima. “O povo só pede as coisas, mas ninguém dá nada em troca, o que eu vou ganhar se eu te ajudar?”, disse o parlamentar, conforme registrado em um dos depoimentos. Em mais de um caso, as abordagens teriam evoluído para violência sexual.
A investigação também apura um episódio envolvendo imagens de abuso sexual infantil encontradas no celular do vereador. O material foi descoberto durante busca e apreensão. A defesa, no entanto, afirma que os arquivos teriam sido recebidos como denúncia contra terceiros e que não havia vínculo de Cássio com o conteúdo. O advogado José Osmir Bertazzoni nega todas as acusações, sustenta que não houve ilegalidades e afirma se tratar de perseguição política.
Cássio foi preso temporariamente no início de outubro, sendo posteriormente mantido sob prisão preventiva. A Câmara Municipal determinou seu afastamento do cargo dois dias após a detenção, o que também resultou na suspensão do salário. O parlamentar ingressou com ação no Tribunal de Justiça de São Paulo para reaver os pagamentos e pedir valores retroativos, alegando ilegalidade no corte. A liminar ainda será analisada pela Justiça.
Enquanto aguarda a tramitação do processo, o vereador segue preso. Os inquéritos continuam sob sigilo e buscam aprofundar as denúncias, cruzar depoimentos, verificar provas e esclarecer o possível envolvimento de Cássio em crimes sexuais e práticas coercitivas.














