Talita Galhardo volta a associar população de rua à violência e é vaiada

Vereadora Talita Galhardo

A vereadora Talita Galhardo voltou a associar a população em situação de rua à violência e foi vaiada durante sessão plenária na Câmara Municipal do Rio, nesta quinta-feira (26). O discurso ocorreu enquanto a parlamentar tentava se defender de críticas recentes envolvendo declarações sobre pessoas sem moradia.

Nos últimos dias, Talita Galhardo ganhou repercussão nas redes sociais após divulgar vídeos em que aparece discutindo com pessoas desabrigadas na Barra da Tijuca. Em um dos registros, ela aborda um casal que estava sob uma ponte e questiona a permanência deles no local, episódio que gerou forte reação pública.

Durante o pronunciamento no plenário, a vereadora afirmou que seu mandato atende pessoas de diferentes classes sociais e rebateu acusações de que atuaria apenas em defesa de interesses da elite. “Tem gente que tá falando de mim, que trabalho pra rico. Acho que a pessoa tem que repensar um pouco. Eu atendo os problemas que as pessoas mais precisam e eu falo disso”, declarou.

Ao tratar da segurança pública, o clima ficou tenso. A parlamentar afirmou que a presença de pessoas nas ruas impactaria os índices de criminalidade e citou um dado sem indicar fonte. “Noventa por cento dessas pessoas que estão em situação de rua andam com armas brancas. Muitas são do bem, mas andam com arma branca porque precisam se defender”, disse, sob vaias das galerias.

Ela também mencionou o episódio recente na Barra da Tijuca, alegando que o homem abordado teria antecedentes criminais. “Ele já foi preso por tráfico, abuso, roubo e associação criminosa. Ofereci abrigo e emprego e ele não quis”, afirmou.

Outro ponto que gerou forte repercussão foi a declaração sobre suposta atuação do crime organizado na exploração de crianças em situação de vulnerabilidade nas praias da cidade. Segundo a vereadora, haveria uma logística para levar menores às ruas com o objetivo de arrecadar dinheiro.

“Essas crianças são levadas pelo crime organizado com kimono e medalhas para pedir dinheiro na rua. São levadas de van do crime organizado e deixadas nas praias. Se falam que isso é mentira é porque não têm informação de rua”, afirmou.

As falas provocaram reação imediata no plenário. O vereador Rick Azevedo voltou a contestar as declarações da colega, acompanhado por parlamentares da ala mais progressista da Casa.

O episódio amplia o debate sobre políticas públicas voltadas à população em situação de rua e segurança no município. A discussão promete novos desdobramentos dentro e fora da Câmara, especialmente diante da repercussão nas redes sociais e da polarização do tema.

Limpatech