Procon suspende venda da Outsider, bloqueia anúncios e cobra comprovação de ingressos

Fernando Sampaio de Souza e Silva

O Procon suspende venda da Outsider, bloqueia anúncios e cobra comprovação de ingressos oferecidos para a final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, marcada para sábado (29), em Lima, no Peru. A decisão foi tomada pela Secretaria de Defesa do Consumidor do Estado e pelo Procon-RJ com base em indícios de fraude e publicidade enganosa. A suspensão vale até que a empresa e seu sócio, Fernando Sampaio de Souza e Silva, apresentem documentos que comprovem a regularidade e a autenticidade dos ingressos anunciados.

A Outsider Tours enfrenta problemas na Justiça desde 2022 e acumula mais de 600 processos espalhados pelo país. Entre as principais reclamações recentes dos consumidores estão a não entrega de ingressos, passagens e hospedagens; cancelamentos unilaterais de pacotes sem justificativa; e ausência de restituição de valores pagos. Uma nota divulgada pela Conmebol no dia 17 de novembro reforçou o alerta ao afirmar que não reconhece qualquer acordo com a empresa e que questiona a autenticidade dos ingressos ofertados.

O número de denúncias no site Reclame Aqui aumentou consideravelmente desde o dia 18 e se intensificou ainda mais no último domingo (23). O g1 ouviu torcedores que tiveram pacotes cancelados às vésperas da final e que não conseguiram esclarecimentos sobre reembolso. “Continuam vendendo como se não estivesse acontecendo nada”, disse Flávio Evangelho de Araújo em entrevista ao portal.

No documento que determinou a suspensão, o Procon deu 24 horas para que a empresa se manifeste e apresente um relatório econômico referente aos últimos três meses. A Secretaria de Defesa do Consumidor também solicitou à Meta — responsável por Instagram e Facebook — a remoção das páginas da Outsider, além de pedir à Anatel providências sobre a retirada do site do ar. Segundo o secretário Gutemberg Fonseca, a medida foi tomada após um volume crescente de reclamações. “Porque ele continua divulgando, continua vendendo e continua enganando o consumidor”, afirmou.

Além disso, a Delegacia do Consumidor (Decon) já havia aberto investigação contra a empresa e o sócio no início do ano, após diversas queixas. Atualmente, há três inquéritos em andamento por estelionato e crimes contra as relações de consumo. Fernando Sampaio também foi indiciado anteriormente em dois outros processos de estelionato.

Em entrevista ao g1 e ao RJ2, Fernando alegou estar tentando resolver os casos pendentes e afirmou ter pago cerca de R$ 2 milhões em acordos ao longo de 2025. “É uma coisa que é impossível de ser resolvida de uma forma imediata. Mas o que a gente já pagou demonstra que a gente tem uma boa intenção, pelo menos, de resolver os casos”, declarou em 11 de novembro. Sobre a ação do Procon, ele disse que não havia sido notificado e afirmou que os pacotes estavam esgotados desde a semana anterior. “O Procon não me notificou até o momento, mas o que eles estão suspendendo já não está sendo ofertado há dias”, afirmou. Fernando não respondeu aos questionamentos sobre cancelamentos e falta de reembolso até a publicação da reportagem.

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