A Prefeitura do Rio lança nesta segunda-feira (5) o projeto do novo camelódromo da Rua Uruguaiana, que será reconstruído no local onde ocorreu um incêndio em janeiro deste ano. Orçado em R$ 84,8 milhões, o novo espaço terá quatro pavimentos e cerca de 1,6 mil boxes, além de áreas comuns mais amplas e uma praça de alimentação.
A proposta é transformar o atual Mercado Popular da Uruguaiana em uma estrutura moderna, com corredores largos e fachadas integradas à paisagem urbana do Centro. O projeto ainda inclui varandas voltadas para a Rua Uruguaiana e para a Avenida Presidente Vargas, além de um sistema de prevenção de incêndio atualizado, em conformidade com a legislação do Corpo de Bombeiros.
O secretário municipal de Infraestrutura, Wanderson Santos, explicou que a execução será feita em etapas. “Dividimos a obra por fases para minimizar o impacto da intervenção. Uma nova frente só será aberta com a conclusão da etapa anterior”, afirmou em depoimento ao jornal O Dia.
Segundo a prefeitura, o objetivo é modernizar o camelódromo sem perder sua identidade popular, promovendo uma reorganização que melhore a circulação de pessoas e a segurança do local, além de facilitar a contemplação de bens tombados no entorno.
O projeto também prevê a transferência dos ambulantes que atualmente trabalham na entrada da estação do metrô da Rua Uruguaiana para dentro do novo edifício. A intenção é liberar a calçada, frequentemente congestionada, e oferecer condições mais estruturadas para os vendedores de alimentos.
Mas nem todos os ambulantes receberam bem a notícia. “Lá dentro a gente vai sumir. Quem come na rua quer coisa rápida, não vai subir escada para lanchar. Além disso, eles querem botar ordem onde há vida”, afirmou Francisco Souza, que vende cachorro-quente próximo ao metrô.
Por outro lado, muitos lojistas veem a mudança como uma oportunidade. “Seria maravilhoso ter um lugar com estrutura decente, ventilação, segurança. Hoje, se chover forte ou faltar luz, vira um caos aqui dentro”, relatou Denise Moura, vendedora que aproveitou o movimento do show da Lady Gaga para montar uma vitrine temática com produtos coloridos e camisas da cantora.
A expectativa com a nova estrutura também alcança quem visita o camelódromo. A professora mineira Luciana Amaral, de 36 anos, elogiou a diversidade de produtos. “Nunca vi tanta coisa colorida junta. É uma loucura, mas é muito divertido. Se ficar mais organizado e seguro, vai ser ótimo para quem vem de fora”, disse.
Já o administrador paulista Henrique Teles, de 42 anos, vê a reestruturação como essencial para melhorar a imagem do comércio popular. “É um lugar popular, importante para o comércio, mas é visível que muita coisa não tem procedência. Com estrutura e controle, dá para manter a diversidade, mas com legalidade”, afirmou enquanto carregava sacolas com acessórios.
Apesar da empolgação inicial, ainda não há prazo oficial para o início das obras, que dependerão da conclusão do processo licitatório. Vendedores demonstram cautela diante da possibilidade de ficarem sem trabalhar durante os períodos de intervenção.
“Tomara que saia do papel, mas o medo é que a gente fique sem trabalhar por meses. O movimento está voltando agora, depois do incêndio. O show da Lady Gaga foi um alívio”, comentou Marlene Araújo, de 52 anos, que vende bijuterias no local há mais de duas décadas.














