Policial atira em carro de aplicativo sem ver passageiros e mulher morre no Rio

Frede Uilson Souza de Jesus

O caso em que um policial atira em carro de aplicativo voltou a provocar indignação no Rio de Janeiro após novos detalhes do depoimento prestado pelo agente responsável pelo disparo que matou a designer de sobrancelhas Thamires Rodrigues de Souza Peixoto, de 28 anos. A vítima estava no banco do passageiro do veículo quando foi baleada durante uma discussão de trânsito na região do Pechincha, na Zona Oeste da cidade.

O policial civil Frede Uilson Souza de Jesus, preso temporariamente, admitiu aos investigadores que efetuou o disparo mesmo sem conseguir visualizar quem estava dentro do automóvel. Segundo o depoimento, os vidros escuros do carro impediram que ele enxergasse os ocupantes, mas ainda assim ele acreditou que poderia estar diante de uma tentativa de assalto.

De acordo com as investigações, o agente afirmou que sacou a arma após perceber a aproximação do veículo durante a confusão no trânsito. Ainda segundo ele, o medo e o susto fizeram com que reagisse rapidamente, alegando ter se sentido ameaçado naquele momento.

O depoimento também revelou que o policial disse ter “ficado estagnado” quando foi questionado sobre a possibilidade de dar marcha à ré para evitar a situação. Segundo o relato, o disparo ocorreu quando o carro onde Thamires estava passou ao lado do veículo conduzido pelo agente.

A morte da jovem causou forte repercussão nas redes sociais e gerou revolta entre amigos e familiares. Thamires chegou a ser socorrida após o disparo, mas não resistiu aos ferimentos. Ela trabalhava como designer de sobrancelhas e deixa filhos.

O corpo da vítima foi enterrado neste sábado (9), no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio. O sepultamento aconteceu no mesmo dia em que a filha mais nova de Thamires completou quatro anos, fato que aumentou ainda mais a comoção durante a despedida.

As investigações apontam ainda que Frede Uilson Souza de Jesus já havia sido alvo de outras ocorrências ao longo da carreira. Conforme consta no inquérito, o policial possui seis anotações criminais registradas entre 2007 e 2020, incluindo casos relacionados à violência doméstica, lesão corporal e injúria.

Na decisão que determinou a prisão temporária do agente, a Justiça do Rio destacou a gravidade do caso e o risco que o policial poderia representar em liberdade durante o andamento das investigações.

O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer todas as circunstâncias da ocorrência que terminou com a morte da passageira dentro do carro de aplicativo.

A repercussão do episódio continua mobilizando debates sobre violência, preparo policial e segurança no trânsito no Rio de Janeiro, tema que ainda deve gerar novos desdobramentos nos próximos dias.

Limpatech