Governo do RJ suspende compra do Black Hawk após suspeitas sobre helicóptero

helicóptero Black Hawk

A compra do Black Hawk pelo Governo do Rio de Janeiro foi suspensa após uma série de suspeitas envolvendo a procedência da aeronave, o processo de licitação e possíveis conexões entre empresas participantes da concorrência. O helicóptero militar seria adquirido para reforçar operações da Polícia Militar em áreas consideradas de alto risco no estado.

A aeronave modelo Sikorsky UH-60L Black Hawk custaria cerca de US$ 12,6 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 70,3 milhões na cotação da época em que o contrato foi fechado. O projeto vinha sendo tratado como uma das apostas da segurança pública fluminense para ampliar o combate ao crime organizado.

No entanto, o governo em exercício decidiu interromper o processo após identificar possíveis irregularidades e inconsistências na negociação. Um dos principais pontos levantados foi a suspeita de que o helicóptero poderia possuir peças usadas ou não apresentar as condições inicialmente esperadas para uma aeronave militar desse porte.

Outro fator que chamou atenção foi a participação de empresas com ligações indiretas entre si durante o processo licitatório. Levantamentos apontaram conexões entre representantes das companhias envolvidas na disputa, incluindo vínculos familiares e históricos profissionais compartilhados no setor aeronáutico.

Entre os nomes citados nas apurações está o empresário Fernando Carlos da Silva Telles, conhecido como “Tico-Tico”, ligado ao setor de prestação de serviços de helicópteros. Documentos apontam que familiares e antigos parceiros profissionais dele aparecem relacionados às empresas que participaram da concorrência.

Além das suspeitas comerciais, integrantes do governo também passaram a questionar a funcionalidade do Black Hawk em operações urbanas no Rio de Janeiro. O helicóptero militar possui cerca de quatro toneladas e exige áreas maiores para pouso e deslocamento, o que poderia dificultar atuações em comunidades e regiões densamente povoadas.

Outro ponto debatido internamente envolve o impacto causado pela força das hélices durante voos em baixa altitude. Técnicos demonstraram preocupação com riscos estruturais em áreas urbanas, principalmente em locais com moradias mais frágeis e ruas estreitas.

Apesar do anúncio oficial da aquisição ter sido feito anteriormente pelo então governador Cláudio Castro, nenhum pagamento havia sido realizado até o momento da suspensão. Uma equipe da Polícia Militar chegou a ser enviada aos Estados Unidos para treinamento operacional relacionado ao modelo da aeronave.

O governo estadual informou que o processo integra uma revisão ampla de contratos e auditorias conduzidas pela atual gestão interina. Segundo a administração, todos os documentos seguem sendo analisados sob critérios técnicos e jurídicos antes de qualquer decisão definitiva.

A possível aquisição do helicóptero militar vinha sendo defendida pela Polícia Militar sob o argumento de aumento das ameaças contra aeronaves blindadas usadas em operações no estado. Dados internos apontavam crescimento nos registros de disparos contra helicópteros da corporação nos últimos anos.

Agora, a suspensão da compra do Black Hawk amplia a pressão sobre o governo estadual e levanta novos questionamentos sobre transparência, segurança pública e o uso de recursos milionários em equipamentos de guerra.

O desfecho da investigação e das auditorias deve continuar movimentando os bastidores políticos e da segurança no Rio de Janeiro nos próximos meses.

Limpatech