A PM reduz roubos de carga no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio, após instalar blocos de concreto em 12 dos 22 acessos à comunidade. A estratégia, iniciada de forma experimental em setembro do ano passado e ampliada em março de 2025, tem mostrado resultados expressivos: desde a última expansão, nenhuma carreta roubada foi levada para dentro do conjunto de favelas, segundo o 22º BPM (Maré).
A iniciativa tem como objetivo impedir que veículos de grande porte, como caminhões e carretas, usados por criminosos para transportar cargas roubadas, entrem facilmente na comunidade. Os blocos de concreto — chamados de “Jerseys” — funcionam como barreiras físicas, dificultando a manobra e a fuga em alta velocidade.
“A iniciativa do 22º BPM, que conseguiu reduzir a zero os roubos de carga na região do Complexo da Maré, está servindo de modelo para o comando da corporação adotar estratégias semelhantes em outras áreas da Região Metropolitana”, afirmou o coronel Marcelo de Menezes Nogueira, secretário de Polícia Militar.
O Complexo da Maré é formado por 15 comunidades e está localizado entre as principais vias expressas da cidade: as linhas Amarela e Vermelha, e a Avenida Brasil. A posição geográfica estratégica facilita a entrada e saída de criminosos com cargas roubadas. Com a instalação dos blocos, a Polícia Militar tenta romper essa rota de escoamento.
O comandante do 22º BPM, tenente-coronel Marcelo Corbage, lembrou que além da atividade criminosa, o modo como as carretas ingressavam na comunidade representava risco para moradores e agentes. “Além de roubarem a carga, eles entravam nesses locais em alta velocidade. É difícil manobrar uma carreta. Eles colocavam a vida de pessoas, moradores e policiais, em risco”, relatou.
Apesar das críticas de parte da população e de ONGs locais, como a Redes da Maré, a PM garante que os blocos não impedem o acesso de caminhões menores, veículos de entrega ou coleta de lixo. “A ideia não é cercear o deslocamento de moradores. Os serviços continuam funcionando”, explicou o comandante.
Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), houve uma redução significativa nos roubos registrados na Área Integrada de Segurança Pública (AISP) 22, que inclui, além da Maré, os bairros de Benfica, Bonsucesso, Higienópolis, Manguinhos e Ramos. Em março de 2025, foram registrados apenas nove casos, contra 20 no mesmo mês de 2024 — uma queda de 55%.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística do Rio (Sindicarga), Filipe Coelho, elogiou a medida. “A extensão da adoção dessa medida é apoiada pelo Sindicarga, pois, notadamente, veículos de grande porte só entram em comunidades quando são produtos de roubo”, afirmou.
Já a diretora da ONG Redes da Maré, Eliana Souza, criticou a ação. “É estranho que a PM utilize um recurso que, historicamente, critica: o fato de redes ilícitas colocarem esse tipo de barreira para impedir a entrada da polícia”, disse.
Em resposta, o porta-voz da PM, major Maicon Pereira, esclareceu que a medida não busca imitar estratégias do tráfico. “É fruto de estudos sobre formas eficazes de reduzir o roubo de cargas na região”, explicou.
Com o sucesso da iniciativa, a PM estuda expandir o uso dos blocos para outras áreas do Rio com características semelhantes — especialmente regiões com alta incidência de roubo de carga e facilidade de acesso para carretas e caminhões. A análise levará em conta o número de acessos, a estrutura das vias e o impacto no deslocamento dos moradores.














