Pedreiro morto por PMs é sepultado em São Gonçalo sob pedidos de justiça

Edivan Felipe de Assis

O pedreiro morto por PMs durante uma ação em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, foi sepultado nesta sexta-feira (29), no Cemitério São Miguel. Familiares e amigos de Edivan Felipe de Assis, de 41 anos, acompanharam a despedida marcada por emoção e pedidos de justiça.

Edivan morreu na quarta-feira (27), junto com Marcelo da Cruz Silva, também de 41 anos, quando os dois seguiam para uma obra. Segundo informações do caso, os trabalhadores estavam em uma motocicleta quando foram atingidos durante uma ação da Polícia Militar na Avenida Doutor Albino Imparato, na localidade de Ipuca.

Em depoimento, os policiais envolvidos afirmaram que confundiram um tripé de medição, que estaria no colo de um dos pedreiros, com um fuzil. Os agentes também relataram que a visibilidade no momento da abordagem estava prejudicada por uma forte neblina.

A morte dos trabalhadores gerou revolta entre moradores da região. Enquanto os agentes aguardavam a chegada da perícia, pessoas que estavam no local protestaram contra a atuação policial. O caso passou a ser acompanhado por familiares, que cobram esclarecimentos sobre a ação.

Marcelo da Cruz Silva foi sepultado na quinta-feira (28), também no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo. Já o enterro de Edivan, realizado no dia seguinte, reuniu parentes e amigos que lamentaram a perda do trabalhador e reforçaram o pedido por justiça.

Após o caso, três policiais militares foram afastados do patrulhamento nas ruas. A medida foi adotada enquanto as circunstâncias da ocorrência são investigadas pelas autoridades responsáveis.

Em nota, a Polícia Militar informou que, de acordo com o comando do 7º BPM de São Gonçalo, um procedimento apuratório está em andamento para averiguar as circunstâncias em que os dois homens foram atingidos durante a ocupação na localidade de Ipuca.

A corporação também declarou que lamenta as mortes de Marcelo da Cruz Silva e Edivan Felipe de Assis. Ainda segundo a PM, a instituição preza pela transparência de suas ações e afirma colaborar integralmente com as investigações do caso.

As armas utilizadas pelos agentes e as câmeras corporais dos policiais serão encaminhadas para perícia. O resultado da análise deve ajudar a esclarecer a dinâmica da abordagem e os detalhes da ação que terminou com a morte dos dois trabalhadores.

O caso segue sob investigação e mantém familiares, amigos e moradores de São Gonçalo atentos aos próximos desdobramentos, em busca de respostas sobre uma ocorrência que provocou forte comoção na cidade.

Limpatech