Pastor acusado de abusar de 10 fiéis é preso em Vargem Grande

A Polícia Civil prendeu nesta quinta-feira (10) o pastor Jailton Nápoles Corrêa Menezes na Estrada dos Bandeirantes, em Vargem Grande. Ele estava foragido do Pará e é suspeito de abusar sexualmente de mais de dez mulheres.

A captura foi feita por agentes da Subsecretaria de Inteligência (SSINTE) da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, nas imediações da comunidade César Maia. O acusado não ofereceu resistência no momento em que foi abordado pelos policiais na Zona Oeste da capital fluminense.

Líder religioso usava a fé para enganar e violentar vítimas

As investigações apontam que Jailton Nápoles aproveitava a posição de liderança espiritual para se aproximar das fiéis. Ele conquistava a confiança das famílias e das mulheres que buscavam orientação religiosa na igreja para cometer os abusos sexuais dentro e fora dos templos.

A Polícia Civil já identificou vítimas confirmadas dos crimes nos estados do Rio de Janeiro, Pará e Maranhão. Além disso, os agentes apuram denúncias semelhantes que surgiram nos estados do Amazonas e do Rio Grande do Sul, o que indica um histórico de crimes em pelo menos cinco unidades da federação.

O investigado atuava com maior frequência como pastor na cidade de Santa Izabel, no Pará. No passado, ele também tentou ingressar na política no estado do Rio de Janeiro, tendo disputado os cargos de deputado federal no ano de 2010 e de deputado estadual no ano de 2014.

Como funcionou a operação de inteligência

A localização do investigado foi possível graças a uma ação integrada de inteligência entre a Polícia Civil do Pará e a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. As equipes realizaram um monitoramento contínuo sobre os passos do pastor até descobrirem o endereço exato onde ele se escondia em Vargem Grande.

A prisão fez parte do Projeto Captura, uma força-tarefa coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública por meio da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (DIOPI/SENASP). O programa atua em conjunto com a SSINTE para rastrear e prender criminosos foragidos de outros estados que tentam se esconder em favelas e bairros fluminenses.

Após o cumprimento do mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça, Jailton foi levado para a delegacia para a formalização do registro. Em seguida, o preso foi encaminhado ao sistema penitenciário do Estado do Rio de Janeiro, onde permanecerá à disposição do Poder Judiciário até ser recambiado ao Pará.

O que já se sabe sobre as investigações

O caso segue em andamento e novas testemunhas estão sendo ouvidas. A Polícia Civil pede que outras mulheres que tenham sido vítimas do acusado procurem uma unidade policial para prestar depoimento formal, já que a identificação do pastor pode encorajar novos relatos.

Os relatórios policiais indicam que o padrão de atuação era semelhante em todos os locais por onde ele passou. Ele atraía fiéis em momentos de fragilidade emocional ou financeira, prometendo orações e ajuda espiritual para realizar os atos de violência sexual em locais privados.

Como denunciar casos de abuso e violência sexual

Se você foi vítima de abuso sexual ou conhece alguém que esteja passando por essa situação, é fundamental procurar ajuda imediatamente. A denúncia pode ser feita de forma totalmente anônima e gratuita a qualquer hora do dia ou da noite.

O Disque Denúncia do Rio de Janeiro atende pelo telefone (21) 2253-1177. O serviço funciona 24 horas por dia e garante o sigilo absoluto das informações passadas pelo morador. Também é possível enviar relatos, fotos e vídeos pelo aplicativo do Disque Denúncia RJ.

A Central de Atendimento à Mulher atende pelo número 180 em todo o país. O canal oferece escuta qualificada, orientação sobre direitos e encaminha os relatos para a rede de proteção à mulher e para os órgãos de segurança pública de cada estado.

O que fazer se você for vítima de um crime sexual

Vítimas de violência ou abuso sexual devem procurar a Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) mais próxima ou qualquer Delegacia de Polícia Civil para registrar o boletim de ocorrência. No Rio de Janeiro, o atendimento presencial é feito em unidades especializadas distribuídas pela capital e pela Baixada Fluminense.

É recomendável procurar atendimento médico imediato em um hospital público ou unidade de pronto atendimento. O serviço de saúde garante a medicação preventiva contra infecções e o acolhimento psicológico necessário. O boletim de ocorrência também pode ser iniciado pela internet, por meio da Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, caso a vítima prefira o primeiro contato remoto.

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