Polícia fecha fábrica de linha chilena e prende 5 na Taquara

A Polícia Civil prendeu cinco pessoas em flagrante na terça-feira (15) durante o fechamento de uma fábrica clandestina de linha chilena na Estrada do Cafundá, na Taquara, Zona Oeste do Rio. A ação da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente interrompeu a produção do material ilegal de alto corte.

As equipes da DPMA chegaram ao galpão após um trabalho de inteligência que monitorava o comércio ilegal do produto na região. No local, os policiais apreenderam diversos carretéis, insumos químicos e máquinas usadas para banhar e secar os fios altamente perigosos.

Polícia Civil fecha fábrica ilegal de linha chilena na Taquara

A investigação ganhou força depois de uma tragédia provocada pelo uso desse tipo de material no Rio de Janeiro. Em 28 de agosto, o coronel do Exército Álvaro Roberto Cruz Ferreira morreu após sofrer um acidente enquanto praticava voo livre de parapente na praia de São Conrado, na Zona Sul da capital.

Segundo relatos do Clube São Conrado de Voo Livre, o equipamento do militar foi cortado por uma linha chilena no ar, o que causou a queda fatal. A partir desse caso, os agentes da delegacia especializada intensificaram as buscas para mapear a cadeia de produção e distribuição dos ceróis modificados que abastecem o mercado clandestino carioca.

Como funcionava o esquema no galpão clandestino

O imóvel usado pela quadrilha ficava em um trecho movimentado da Estrada do Cafundá, disfarçado para não chamar a atenção de moradores e fiscais. Dentro do espaço, os trabalhadores usavam substâncias nocivas para dar o poder de corte aos fios, processo proibido por leis federais e estaduais de proteção ambiental e segurança pública.

Os cinco presos foram levados para a sede da DPMA e autuados em flagrante por produzir e manipular produtos ou substâncias tóxicas e perigosas em desacordo com as exigências legais. Eles permanecem à disposição da Justiça e passarão por audiência de custódia nas próximas horas.

O que muda na região com a operação

Para quem mora ou passa diariamente pela Estrada do Cafundá, na Taquara, o movimento policial no galpão causou curiosidade, mas a via não precisou ser interditada por um longo período. As atividades do comércio local seguiram normalmente durante a tarde de terça-feira, sem impacto no fluxo de pedestres e carros.

A Polícia Civil informou que o patrulhamento ostensivo na Zona Oeste e em áreas de morro do entorno continuará reforçado para coibir a venda desse tipo de cerol em pequenos estabelecimentos comerciais. A proibição do uso e da posse da linha chilena vale para todo o Estado do Rio de Janeiro, com previsão de apreensão do material e responsabilização criminal dos envolvidos.

O que já se sabe sobre as investigações

A polícia confirmou que o material recolhido na Taquara passará por perícia técnica no Instituto de Criminalística Carlos Éboli. Os peritos vão avaliar o grau de toxicidade das substâncias encontradas e comparar o tipo de corte com o material resgatado no acidente do coronel em São Conrado.

A investigação da DPMA continua em andamento para descobrir quem financiava a estrutura do galpão e para quais bairros o produto final era distribuído. A polícia não descarta novas prisões nos próximos dias, à medida que os dados dos celulares apreendidos com os suspeitos forem analisados com autorização judicial.

Como denunciar fábricas e venda de linha chilena

A comercialização e a fabricação de linha chilena ou cerol constituem crime e colocam em risco a vida de motoclistas, pedestres, ciclofaixas e praticantes de esportes aéreos. O morador que souber de locais de produção ou pontos de venda pode fazer a denúncia de forma totalmente anônima e segura para os canais oficiais.

  • Disque Denúncia do Rio de Janeiro: telefone 2253-1177, com atendimento 24 horas por dia.
  • Aplicativo do Disque Denúncia: disponível para smartphones, permitindo o envio de fotos e localização do ponto ilegal.
  • Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA): denúncias diretas na sede da unidade ou via Central de Atendimento da Polícia Civil pelo telefone 197.
  • Emergências: caso flagre o uso ou comércio em tempo real, acione a Polícia Militar pelo número 190.
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