A influenciadora chinesa Chen Ziyi, conhecida nas redes sociais como Ganfan Yingying, morreu aos 24 anos após complicações graves de saúde provocadas pelo consumo compulsivo e excessivo de comida em vídeos no TikTok. A morte foi confirmada pelos pais da jovem.
Chen Ziyi era famosa por produzir conteúdos no formato conhecido como mukbang, no qual os criadores ingerem grandes quantidades de alimentos em frente às câmeras para divertir os seguidores. Com o tempo, a rotina extrema de gravações passou a comprometer o funcionamento do organismo da jovem, levando a um quadro irreversível de falência na saúde.
Perigos dos desafios de comida extrema nas redes sociais
A prática de comer quantidades gigantescas de comida em curto espaço de tempo traz impactos devastadores para o corpo humano. O estômago, que tem capacidade média de suportar entre um e dois litros de alimentos, sofre uma distensão exagerada nesses desafios, provocando riscos de perfuração gastrointestinal, refluxo severo e forte desaceleração metabólica.
Além dos danos mecânicos ao aparelho digestivo, a digestão de grandes volumes de gordura, açúcar e sódio de uma só vez força o coração e os rins a trabalharem muito acima do limite normal. Isso aumenta drasticamente o risco de picos de pressão arterial, disfunções renais agudas, pancreatite e paradas cardiorrespiratórias repentinas.
O que sao os desafios de consumo de comida na internet?
Os vídeos do estilo mukbang surgiram originalmente na Coreia do Sul e se espalharam rapidamente por todo o mundo através de plataformas como TikTok, YouTube e Instagram. O objetivo principal costuma ser mostrar a interação do apresentador com pratos volumosos, promovendo sons de mastigação e reações exageradas.
No entanto, para manter a audiência alta e garantir novos seguidores, muitos produtores de conteúdo passam a exagerar nos limites físicos. Eles realizam maratonas alimentares diárias, consumindo dezenas de milhares de calorias em uma única refeição, sem acompanhamento médico ou intervalo para a recuperação do organismo.
Quais os riscos do consumo exagerado de alimentos para a saude?
O excesso repentino e frequente de comida interfere diretamente em todos os sistemas do corpo. A ingestão descontrolada de gorduras saturadas e sal provoca sobrecarga do sistema circulatório, elevando o risco de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e infartos prévios, mesmo em jovens abaixo dos 30 anos.
Há também o risco do desenvolvimento de transtornos alimentares graves, como a compulsão alimentar e a bulimia. Nesses quadros, a pessoa perde o controle sobre a quantidade ingerida e passa a usar métodos prejudiciais para tentar compensar o excesso, gerando severo sofrimento físico e mental.
Como identificar e buscar ajuda para transtornos alimentares?
Familiares e amigos devem ficar atentos a sinais claros de comportamento alimentar desequilibrado. Entre os principais alertas estão o hábito de comer escondido, o consumo de volumes gigantescos de comida sem demonstrar fome real, a obsessão constante por conteúdos de comida e o isolamento social após as refeições.
Ao perceber esses sintomas, é fundamental não julgar e buscar orientação médica e psicológica especializada o quanto antes. O tratamento dos transtornos alimentares exige acompanhamento multidisciplinar com nutricionistas, psicólogos e médicos endocrinologistas ou psiquiatras.
Onde buscar atendimento gratuito de saude no Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, a população pode buscar atendimento médico inicial para transtornos alimentares e orientação nutricional na rede pública municipal e estadual. O primeiro ponto de contato deve ser a Clínica da Família ou o Posto de Saúde (UBS) mais próximo da sua residência.
- Clínica da Família e UBS: Atendimento primário com encaminhamento para médicos especialistas. Funcionamento de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h (sábados até 12h em unidades selecionadas). Documentos necessários: RG, CPF e Cartão SUS.
- CAPS (Centros de Atenção Psicossocial): Unidades voltadas ao suporte psicológico e psiquiátrico de porta aberta, sem necessidade de agendamento prévio. Atendem casos de sofrimento psíquico e compulsões.
- Disque Saúde (Ministério da Saúde): Telefone 136, serviço gratuito disponível 24 horas para informações sobre postos de atendimento, direitos do paciente e apoio emocional.
- Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE/UERJ): Localizado em Vila Isabel, conta com centros de nutrição e psiquiatria de referência. O acesso ocorre mediante encaminhamento obtido no posto de saúde de bairro.















