Pais enfrentam longa espera no IML para reconhecer corpo do filho morto em megaoperação no Rio

Raquel Rodrigues tenta acesso para reconhecer se corpo é do filho Yago Ravel Rodrigues Rosário

Os pais de Yago Ravel Rodrigues Rosário, de 19 anos, viveram horas de desespero e angústia até conseguirem reconhecer o corpo do filho, uma das vítimas da megaoperação no Rio que deixou mais de 120 mortos nos complexos da Penha e do Alemão. Desde a manhã de quarta-feira (29), a família aguardava no Instituto Médico-Legal (IML), no Centro da cidade, para confirmar oficialmente a identidade da vítima.

Na tarde desta quinta-feira (30), Raquel Rodrigues, mãe do jovem, relatou que foi informada da necessidade de presença de um serviço funerário para ter acesso ao corpo. Segundo ela, a família desejava realizar o reconhecimento antes da assinatura dos documentos do óbito, mas isso foi negado inicialmente. Após reunião entre a Comissão de Direitos Humanos e a direção do IML, Raquel finalmente foi autorizada a fazer o reconhecimento.

Ao deixar o local, emocionada e amparada por outras mães que também aguardavam notícias de parentes, ela confirmou que o corpo era de Yago e revelou o estado em que o encontrou. Meu filho estava dentro de um saco plástico, em cima de um carrinho. Quando abriram o plástico, meu filho estava lá dentro, com a cabeça separada do corpo e completamente sujo. Além disso, o cheiro de podre que saiu é indescritível, não vai sair da minha cabeça, relatou Alex Rosário, pai do rapaz.

Antes do reconhecimento, Alex havia sido orientado a assinar o documento de óbito sem ver o filho. Disseram que temos direito de ver ele, mas eu nem vi meu filho. Como vou levar adiante algo, se nem vi meu filho? desabafou o pai, horas antes de conseguir a liberação. Ele contou ainda que o laudo recebido pela família indicava ferimentos graves nos pulmões e no estômago, além de decapitação.

De acordo com a família, o corpo foi liberado no fim da tarde e será levado para o Cemitério de Inhaúma, com apoio de serviço funerário gratuito. A Polícia Civil, em nota, negou que familiares tenham sido impedidos de ver os corpos e afirmou que há um posto da Defensoria Pública no local para auxiliar as famílias. O órgão também ressaltou que o reconhecimento visual não é utilizado como método oficial no estado, sendo substituído por técnicas forenses mais precisas.

A Operação Contenção, realizada em conjunto pelas polícias Civil e Militar, deixou 121 mortos — entre eles quatro policiais e 117 suspeitos, segundo as autoridades. Outros 15 agentes ficaram feridos, e 113 pessoas foram presas. A ação, considerada a mais letal da história do país, teve como alvo integrantes do Comando Vermelho. O número de mortos pode aumentar, já que os corpos continuam sendo identificados à medida que chegam ao IML e aos hospitais da capital.

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