Operação Infiltrados prende ex-policial suspeito de recrutar aliados do PCC

Algema

A Operação Infiltrados, deflagrada nesta terça-feira (9) pelo Ministério Público de São Paulo, prendeu o ex-policial civil Itamar Gomes da Silva, suspeito de recrutar pessoas para atuar em favor do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo as investigações, Itamar teria cooptado o ex-estagiário Gabriel Lira de Jesus e o investigador da Polícia Civil Maurício Aparecido de Oliveira para integrar um grupo de “infiltrados” ligado à facção. O ex-policial já havia sido expulso da corporação pelo crime de extorsão mediante sequestro.

Os suspeitos são investigados por suposto envolvimento em um plano para matar o promotor Amauri Silveira Filho, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), em Campinas.

Além da suspeita de participação no plano, o grupo também é acusado de integrar um esquema de extorsão contra investigados. Um policial penal, que não teve o nome divulgado, também é apurado por possível ligação com os envolvidos.

De acordo com o Gaeco, Itamar teria intermediado o encontro entre o investigador Maurício Aparecido de Oliveira e o empresário José Ricardo Ramos, apontado como um dos responsáveis pela execução do plano contra o promotor.

Os promotores também investigam se parte das informações obtidas por Gabriel Lira vinha de Itamar. A suspeita é que o ex-estagiário usava sistemas do Ministério Público para levantar dados sobre criminosos com alto poder aquisitivo.

Depois, segundo a investigação, essas informações seriam usadas em tentativas de extorsão sob o falso argumento de oferecer “blindagem” contra apurações criminais. Uma das vítimas teria sido uma pessoa investigada por lavagem de dinheiro e suposto envolvimento com o PCC.

Gabriel Lira de Jesus, atualmente advogado, também foi preso durante a operação. Ele havia atuado como estagiário no Ministério Público de Campinas e é apontado como integrante do grupo investigado por acessar e repassar informações privilegiadas.

O policial civil Maurício Aparecido de Oliveira foi outro alvo preso. Segundo o MPSP, ele atuava no 1º Distrito Policial de Campinas e, à época do planejamento do atentado, chefiava a Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes da Deic de Campinas.

A investigação aponta que Maurício foi gravado em uma reunião com José Ricardo Ramos em agosto de 2025, um dia antes da operação que frustrou o plano contra o promotor. Para o Gaeco, ele pode ter fornecido informações sensíveis ao grupo.

Maurício foi preso pela Corregedoria da Polícia Civil e encaminhado a uma unidade prisional destinada a agentes policiais infratores.

A Operação Infiltrados também cumpriu mandado de busca e apreensão em endereço ligado a um policial penal no município de Cardoso, no interior paulista. A atuação dele na trama ainda não foi detalhada pelo Ministério Público.

A ação contou com apoio das Corregedorias e da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil, já que houve buscas em escritório de advocacia.

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