Quem trabalha com turismo no Rio de Janeiro não precisa de estatística para perceber: a cidade está em movimento. Mas os números ajudam a confirmar o que já é visível no dia a dia de quem opera, atende turistas e mantém empresas funcionando. Em 2026, o Rio terá mais de 70 eventos por mês, entre shows, festivais, eventos esportivos, congressos, feiras e grandes ativações culturais. Isso não é detalhe — é estratégia, é economia e é sobrevivência para milhares de famílias.
Durante muito tempo, insistimos em tratar o turismo carioca como algo sazonal, dependente apenas do verão, do carnaval e do réveillon. Esse pensamento está ultrapassado. O Rio vive de eventos, e quando há um calendário bem estruturado, a cidade funciona melhor o ano inteiro. Hotéis mantêm ocupação, restaurantes giram mesas, motoristas, guias, produtores, técnicos e trabalhadores informais conseguem planejar a vida. Evento não é festa: evento é política pública eficiente quando bem executada.
Os dados recentes mostram isso com clareza. O Rio fechou 2025 com mais de 700 eventos realizados e entra em 2026 projetando um calendário ainda mais robusto. Estamos falando de uma média superior a dois grandes eventos por dia. Isso coloca o Rio em outro patamar, não apenas como destino turístico, mas como palco permanente do Brasil para o mundo.
E aqui entra minha opinião, sem rodeios: evento é o maior ativo turístico do Rio depois da paisagem. Diferente da praia, que está sempre ali, o evento cria urgência. Ele faz o turista decidir viajar agora, comprar passagem agora, reservar hotel agora. Ele gera fluxo imediato, gasto imediato e impacto direto na economia local.
Mas é preciso fazer um alerta. Quanto mais eventos, maior também é a responsabilidade do poder público e do trade. Mobilidade, ordenamento urbano, segurança e comunicação precisam acompanhar esse crescimento. Não adianta atrair milhões de pessoas se a experiência for caótica. Turismo não é só volume — é percepção, é retorno, é recomendação.
Outro ponto que precisa ser dito: o Rio precisa parar de pedir desculpa por investir em eventos. Sempre surge alguém questionando custos, esquecendo que cada grande evento gera retorno múltiplo em impostos, empregos e visibilidade internacional. O que falta muitas vezes não é investimento, é gestão integrada e planejamento de longo prazo.
Se 2026 cumprir o que já está desenhado, o Rio deixará de ser apenas uma cidade que “recebe turistas” para se consolidar como uma cidade que vive do turismo de forma contínua. E isso muda tudo: muda o perfil do visitante, muda o nível de exigência dos serviços e muda, principalmente, a forma como o carioca passa a enxergar o turismo — não como incômodo, mas como oportunidade.
Minha leitura é clara, o futuro do turismo no Rio passa, inevitavelmente, pelos eventos. Quem entende isso se antecipa, se estrutura melhor e transforma movimento em resultado. Quem ignora essa realidade continua preso a um modelo ultrapassado, dependente de picos isolados e improviso.
O Rio de Janeiro não precisa se reinventar — precisa organizar aquilo que já faz melhor do que ninguém. Em 2026, com um calendário forte, contínuo e bem executado, a cidade tem tudo para deixar de ser apenas um destino desejado e se consolidar, de vez, como uma cidade que vive do turismo o ano inteiro.
Bruno Mann é empresário e CEO da Brazil Connection Turismo Receptivo
*Este artigo reflete exclusivamente a opinião do autor. O conteúdo não representa, obrigatoriamente, a linha editorial do Jornal O Povo na Rua.














