MPRJ investiga venda de ingressos acima da lotação no Maracanã

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro abriu uma investigação para apurar possíveis irregularidades na comercialização e no controle de acesso de ingressos em partidas de futebol disputadas no Estádio do Maracanã. A apuração foca em jogos recentes das equipes do Flamengo e do Fluminense pela temporada carioca e nacional.

A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor, conhecido como Gaedest. O órgão busca identificar se torcedores foram colocados em risco e se houve inconsistências na contagem oficial de público divulgada nos boletins financeiros das partidas.

O que o Ministério Público investiga nos jogos no Maracanã

A principal suspeita dos promotores de justiça é que ingressos tenham sido colocados à venda acima da capacidade física permitida em setores específicos do estádio. No caso das partidas com mando de campo do Flamengo, o procedimento aponta a possibilidade de público presente no Maracanã em número superior ao limite máximo autorizado pelas autoridades de segurança pública.

Além da questão da superlotação física nas arquibancadas, os investigadores examinam se todos os bilhetes efetivamente comercializados foram registrados de forma correta nos borderôs das partidas. De acordo com as estimativas iniciais que constam no processo, eventuais diferenças nesse controle financeiro e operacional podem envolver valores em torno de R$ 1 milhão por mês.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ressalta que o procedimento investigatório ainda está em fase de coleta de provas e depoimentos. Até o momento, não há qualquer conclusão definitiva que confirme fraude, desvio financeiro deliberado ou responsabilização direta de dirigentes.

Como fica a situação de Flamengo e Fluminense

A apuração conduzida pelo órgão ministerial trata a situação dos dois grandes clubes do Rio de Janeiro de formas distintas. Em relação ao Fluminense, os documentos apurados não registram a presença de público total acima do limite máximo global do Maracanã nas partidas analisadas.

No entanto, no caso do Tricolor, os investigadores apuram se houve a oferta de bilhetes em quantidade superior à carga previamente autorizada para setores específicos da arena, o que pode causar gargalos na entrada e desconforto nas rampas de acesso. O Fluminense nega categoricamente ter comercializado ingressos além dos limites estabelecidos pelos órgãos de fiscalização.

A administração do Maracanã, os dois clubes, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro e as empresas privadas responsáveis pela operação e venda dos bilhetes digitais foram chamados a prestar esclarecimentos formais. A federação informou que responderá a todas as solicitações dentro do prazo legal fixado pela promotoria.

Os riscos da superlotação para a segurança do torcedor

Um dos pontos mais sensíveis analisados pelos promotores de justiça envolve o impacto direto da divergência de números na segurança pública do entorno e do interior do estádio. O efetivo da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e o contingente de seguranças privados são planejados estritamente com base nos números oficiais do borderô do jogo.

Quando a quantidade real de pessoas supera o público informado, o planejamento tático pode ficar comprometido. Isso gera filas excessivas nos portões de entrada, empurra-empurra nas catracas, bloqueios desnecessários nas vias de circulação interna e dificuldade de evacuação rápida em emergências médicas.

O Ministério Público avalia se a divergência entre a carga autorizada e o fluxo real de pessoas pode ter colocado em risco famílias, crianças e idosos que frequentam o estádio Jornalista Mário Filho em dias de grandes jogos.

O que fazer se você presenciar superlotação no estádio

O torcedor que frequentar o Maracanã e identificar problemas graves de organização, setores superlotados, bloqueios indevidos em portões ou venda ilegal de bilhetes pode acionar diretamente os órgãos de defesa do consumidor e do torcedor. Guarde sempre o comprovante do ingresso e registros em foto ou vídeo do local.

As denúncias sobre irregularidades em eventos esportivos no Estado do Rio de Janeiro podem ser encaminhadas diretamente ao Ministério Público pelo telefone da Ouvidoria, no número 127, ou através do formulário eletrônico no portal oficial do órgão. O atendimento funciona em dias úteis, das 8h às 20h.

Caso a situação envolva falhas na prestação de serviço ou desrespeito aos direitos do consumidor, o torcedor também pode registrar a ocorrência no Procon do Estado do Rio de Janeiro, pelo telefone 151, ou na Delegacia do Torcedor e Grandes Eventos, localizada na Cidade da Polícia, no bairro do Jacarezinho.

Como denunciar irregularidades e venda ilegal

Para casos que envolvam suspeitas de cambistas, fraudes na venda de ingressos virtuais ou ações ilegais no entorno do Maracanã, a população pode utilizar os canais anônimos do Disque Denúncia do Rio de Janeiro. A central atende pelo telefone (21) 2253-1177, com funcionamento durante 24 horas por dia.

O torcedor deve evitar a compra de ingressos fora dos canais oficiais indicados pelos clubes e pela administração do estádio. A compra com cambistas ou em páginas de redes sociais não oficiais aumenta os riscos de golpe e dificulta o controle correto de acesso aos portões da arena.

Nos próximos dias, o Ministério Público deve ouvir os representantes das empresas de bilhetagem e receber os relatórios operacionais solicitados à Polícia Militar para definir se dará início a uma ação civil pública ou se recomendará novas medidas de controle no Maracanã.

Limpatech