Morre Hermeto Pascoal aos 89 anos, gênio da música brasileira

Hermeto Pascoal

O Brasil perdeu neste sábado (13) um de seus maiores gênios musicais. Hermeto Pascoal, compositor, arranjador e multi-instrumentista conhecido mundialmente por sua criatividade, morreu aos 89 anos. O artista, apelidado de O Bruxo por transformar qualquer som em música, estava internado no Hospital Samaritano Barra, no Rio de Janeiro, desde o dia 30 de agosto, em razão de complicações de uma fibrose pulmonar.

Segundo boletim médico, apesar de todo o suporte terapêutico, o quadro se agravou nas últimas horas, evoluindo para falência múltipla dos órgãos. A família confirmou a morte em uma nota nas redes sociais, destacando que Hermeto partiu cercado de carinho e que seu grupo tocava no palco no momento da despedida, exatamente como ele gostaria.

Nascido em Lagoa da Canoa, no agreste de Alagoas, em 1936, Hermeto cresceu rodeado por sonoridades do interior nordestino. Albino, não pôde trabalhar na lavoura e encontrou na música sua vocação. Começou tocando sanfona e, graças ao ouvido absoluto, desenvolveu um estilo único, incorporando sons da natureza e do cotidiano em suas composições.

Mudou-se para o Rio de Janeiro nos anos 1960 e logo se destacou na cena musical brasileira. Nos anos 1970, chamou atenção internacional quando Miles Davis gravou uma de suas composições no álbum Live-Evil. Hermeto consolidou-se como uma figura central da música instrumental, transitando com liberdade entre jazz, choro, música erudita e improvisação radical.

Com discos históricos como A Música Livre de Hermeto Pascoal (1973), Slaves Mass (1977) e Hermeto Pascoal e Grupo (1982), ele construiu um legado incomparável. Sua capacidade de improvisar ao vivo e interagir com a plateia transformava cada apresentação em um espetáculo único.

Hermeto também foi educador musical e, em 1996, realizou um feito extraordinário: compôs uma peça por dia durante todo o ano, somando mais de 400 partituras. Mesmo nos últimos anos, manteve-se ativo, gravando, se apresentando e compartilhando sua paixão com novas gerações.

A morte de Hermeto Pascoal marca o fim de uma era, mas sua obra continua viva, ecoando como uma das maiores expressões artísticas que o Brasil já ofereceu ao mundo.

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