Morre Amelinha Teles,os 81 anos, icone da luta contra a ditadura

A ativista politica e feminista Maria Amelia de Almeida Teles, conhecida nacionalmente como Amelinha Teles, morreu nesta terca-feira aos 81 anos. Ela foi uma das figuras mais marcantes na resistencia contra a ditadura militar e na defesa dos direitos das mulheres no Brasil.

Presa no final de 1972 pela repressao do regime autoritario, Amelinha viveu os horrores da tortura nas dependencias do Estado. Sua trajetoria transformou a dor pessoal em uma bandeira permanente pela democracia, pela verdade e pela protecao das mulheres vitimas de violencia em todo o pais.

A historia de resistencia de Amelinha Teles contra a repressao

Amelinha Teles foi presa em 28 de dezembro de 1972 e levada para a Operacao Bandeirantes, a conhecida Oban, na capital paulista. No local, sofreu graves torturas praticadas por agentes do Estado sob o comando do entao major do Exercicio Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-Codi de Sao Paulo.

Junto com ela, foram detidos seu marido, Cesar Augusto Teles, e o companheiro de militancia Carlos Nicolau Danielli, que acabou assassinado nas dependencias do orgao policial. Um dos episodios mais crueis vividos por Amelinha foi o sequestro de seus filhos, Edson e Janaina, entao com 4 e 5 anos, levados para verem os pais torturados.

Mesmo apos o fim do regime militar, ela se recusou a calar. Amelinha passou a defender ativamente a importancia de encarar a historia do pais para evitar que retrocessos voltem a acontecer na sociedade brasileira, reforcando sempre a necessidade da memoria e da verdade.

Qual foi o papel de Amelinha na defesa dos direitos das mulheres?

A atuacao de Amelinha Teles ultrapassou a luta contra o regime autoritario e deixou marcas profundas nos direitos das mulheres. Na decada de 1970, participou ativamente da criacao e circulacao do Jornal Brasil Mulher, veiculo fundamental para dar voz ao movimento feminista em um periodo de forte censura.

Com formacao em Direito, ela teve papel decisivo na construcao e na efetivacao da Lei Maria da Penha. Amelinha atuou diretamente na capacitacao das Promotoras Legais Populares, projeto que treina liderancas comunitarias para orientar mulheres sobre seus direitos e formas de combater a violencia domestica em bairros e periferias.

Sua atuacao abriu caminhos para que milhares de brasileiras tivessem acesso a informacao juridica simples e pudessem romper ciclos de violencia, integrando a protecao social com o trabalho de base nas comunidades.

Como denunciar violencia contra a mulher e buscar ajuda

A luta iniciada por ativistas como Amelinha Teles resultou na criacao de redes oficiais de apoio. Se voce ou alguem que voce conhece esta passando por situacao de violencia domestica ou familiar, saiba onde buscar orientacao e socorro imediato:

  • Central de Atendimento a Mulher (Ligue 180): Servico gratuito, anonimo e nacional que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Orientacao sobre direitos e encaminhamento para a rede de protecao.
  • Policia Militar (Ligue 190): Deve ser acionada imediatamente em casos de emergencia ou agressao em andamento.
  • Delegacias de Atendimento a Mulher (DEAM): Unidades especializadas da Policia Civil para registro de ocorrencias e pedido de medidas protetivas de urgencia. No Rio de Janeiro, a DEAM Centro fica na Rua Visconde do Rio Branco, 12. No Estado, ha unidades espalhadas pela Baixada Fluminense e interior.
  • Defensoria Publica: Oferece assistencia juridica gratuita para vitimas de violencia que nao tm condicoes de pagar advogado.

O legado de pesquisas e buscas sobre a ditadura militar

Nos ultimos anos, Amelinha Teles continuava trabalhando ativamente em pesquisas de resgate historico. Ela participava de projetos coordenados pela Universidade Federal de Sao Paulo, a Unifesp, que investigam a responsabilidade de empresas privadas em violacoes de direitos humanos cometidas durante o periodo ditatorial.

Sua voz esteve presente tambem em producoes recentes, como o podcast Perdas e Danos, produzido pela Empresa Brasil de Comunicacao, a EBC. Na obra, a ativista voltou a alertar que a democracia precisa ser cuidada todos os dias e que esquecer o passado coloca em risco a liberdade do presente.

Como o legado de Amelinha afeta a sociedade atual

A morte de Amelinha Teles representa uma perda enorme para os movimentos sociais do Brasil. Entidades de direitos humanos, coletivos feministas e associacoes de ex-presos politicos manifestaram pesar pela confirmacao do falecimento, destacando sua bravura como exemplo para as novas geracoes.

Para quem vive o dia a dia nas periferias e bairros trabalhadores, o trabalho de Amelinha se traduz no direito de ter uma delegacia especializada, no acesso a uma medida protetiva e na certeza de que a violencia contra a mulher nao deve ser aceita nem escondida.

Foto: Povo na Rua

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