A Polícia Civil prendeu milicianos no Recreio, suspeitos de envolvimento na morte de Ygor Dante Santos Cordeiro e Ariane Anselmo Cortes, grávida de seis meses. O casal foi assassinado na semana passada, na região do Terreirão, e a principal linha de investigação aponta que as vítimas teriam sido confundidas com integrantes de um grupo paramilitar rival.
A ação foi realizada pela Delegacia de Homicídios da Capital, que prendeu quatro homens em flagrante e apreendeu um adolescente durante as apurações. Segundo os investigadores, os agentes chegaram ao grupo depois de identificar um veículo usado pela quadrilha para extorquir comerciantes e moradores da região.
Após cruzamento de informações e monitoramento, o automóvel foi localizado em uma área sob influência do grupo criminoso. Durante a abordagem, os policiais encontraram duas armas de fogo carregadas, munições de diferentes calibres, celulares e uma camisa com a inscrição “Polícia”.
O veículo também chamou a atenção dos investigadores. De acordo com a Polícia Civil, o carro era roubado, usava placa clonada e apresentava sinais identificadores adulterados. Para a delegacia responsável pelo caso, esses elementos indicam o nível de organização do grupo que atuava na região.
Os presos foram identificados como Carlos Eduardo Gonçalves da Silva, conhecido como Vampiro; Leandro Augusto da Silva, chamado de Magrão; Rodrigo Silva Pires, conhecido como Butucão; e Bruno Rodrigues da Rocha, apelidado de Pescoço.
Durante depoimento, dois dos detidos admitiram ligação com a milícia e disseram exercer a função de “recolhes”, responsáveis pela cobrança armada de taxas ilegais impostas a comerciantes e moradores.
As investigações apontam que o grupo atua em áreas dominadas pela milícia em Curicica, Terreirão, Colônia e Rio das Pedras. A suspeita central é que Ygor e Ariane tenham sido alvos por engano, após serem confundidos com pessoas ligadas a uma organização criminosa rival.
Os suspeitos foram autuados por constituição de milícia privada, receptação, adulteração de sinal identificador de veículo automotor, porte ilegal de arma de fogo e corrupção menor de idade.
O crime ocorreu no dia 29 de abril, quando o casal seguia para buscar uma encomenda relacionada ao chá-revelação do bebê que esperavam. Segundo familiares, os dois foram surpreendidos por criminosos enquanto estavam na região do Terreirão.
Ariane era biomédica e também trabalhava como manicure. Ygor atuava como supervisor de logística em uma empresa de e-commerce. Além do bebê que esperava, Ariane deixou um filho pequeno.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer como ocorreu a execução e aprofundar a relação dos presos com a estrutura criminosa que atua na Zona Sudoeste do Rio.
O caso aumentou a atenção das autoridades sobre a atuação de grupos paramilitares no Recreio e em comunidades próximas, onde moradores e comerciantes seguem sob pressão da cobrança ilegal e da disputa entre criminosos.














