Policiais penais presos em operação contra esquema criminoso em presídios do RJ

Presídio

Policiais penais presos em uma operação realizada nesta quinta-feira (7) são investigados por participação em um esquema criminoso que atuava dentro de presídios em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Ao todo, doze pessoas foram detidas durante a ação, incluindo seis servidores do sistema prisional suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas, entrada ilegal de celulares e corrupção dentro das unidades.

A operação foi coordenada por agentes da 146.ª DP (Guarus) em conjunto com o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Todos os investigados já haviam sido denunciados à Justiça.

Além das prisões, a Justiça determinou o afastamento imediato dos policiais penais de suas funções e também suspendeu o porte de armas dos servidores investigados.

As investigações começaram após a morte do ex-policial penal Marcelo Aparecido de Lima, assassinado em abril de 2025, em Campos dos Goytacazes. Segundo a polícia, ele havia sido expulso da corporação anteriormente por suspeitas de participação em irregularidades dentro do sistema penitenciário.

Em dezembro do ano passado, a primeira fase da Operação Clausura já havia resultado na prisão de três suspeitos ligados à emboscada que terminou com a morte do ex-agente. Com o avanço das apurações, os investigadores identificaram um esquema estruturado envolvendo servidores públicos, detentos e traficantes.

De acordo com a Polícia Civil, Marcelo utilizava a influência adquirida como policial penal para facilitar a entrada de drogas e outros materiais ilícitos nos presídios Dalton Crespo de Castro e Carlos Tinoco da Fonseca. A suspeita é de que sua atuação dentro da estrutura criminosa tenha motivado sua execução.

Segundo o Ministério Público, a análise de celulares apreendidos com o ex-servidor ajudou a revelar o funcionamento da organização criminosa. As investigações apontam que os policiais penais denunciados permitiam a entrada e comercialização de drogas e celulares nas unidades prisionais.

Ainda conforme os investigadores, o lucro obtido com as atividades ilegais foi identificado por meio de movimentações bancárias consideradas incompatíveis com os rendimentos dos envolvidos.

A organização criminosa atuava dividida em diferentes núcleos. Parte do grupo seria responsável pelo abastecimento de drogas e aparelhos celulares, enquanto outros integrantes cuidavam da distribuição e venda dos materiais dentro das unidades prisionais.

Mandados também foram cumpridos em endereços ligados aos investigados nas cidades de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Rio das Ostras, Cabo Frio, Casimiro de Abreu e Duque de Caxias.

Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária informou que a Corregedoria-Geral e a Subsecretaria de Inteligência da Polícia Penal participaram da operação em apoio às investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.

A pasta informou ainda que os servidores investigados irão responder a Processo Administrativo Disciplinar. A secretaria também reforçou que não compactua com desvios de conduta, crimes ou abusos praticados por agentes do sistema penitenciário.

O caso voltou a chamar atenção para denúncias de corrupção e influência do crime organizado dentro de unidades prisionais do estado, tema que segue sendo alvo de investigações das autoridades fluminenses.

Limpatech