Peter Max, ícone da arte psicodélica, morre aos 88 anos nos EUA

O artista plástico Peter Max, um dos maiores nomes da arte psicodélica no mundo, morreu aos 88 anos nos Estados Unidos. Ele estava internado em um hospital de Manhattan, em Nova York, e sofria de demência avançada.

A informação do falecimento foi confirmada pelos filhos do pintor. O legado visual deixado por ele marcou a cultura pop mundial desde os anos 1960, influenciando inclusive a moda, as capas de discos e a arte urbana espalhada pelas grandes cidades brasileiras.

A trajetória do mestre das cores e do movimento hippie

Peter Max ficou famoso no planeta inteiro por causa de suas ilustrações cheias de cores vivas, formas em espiral e figuras surreais. Esse estilo visual virou o símbolo do movimento hippie e do lema de paz e amor da época.

Sua arte estampou praticamente de tudo um pouco ao longo das décadas. Ele desenhou desde selos postais, capas de listas telefônicas e cartazes até a pintura externa de um navio de cruzeiro e de um avião Boeing 777.

Além de marcar época na publicidade, o desenhista foi escolhido como artista oficial de grandes eventos do esporte internacional. Ele produziu obras oficiais para os Jogos Olímpicos, para a Copa do Mundo de futebol, para o Super Bowl e para as tradicionais 500 Milhas de Indianápolis.

Da fuga do nazismo ao topo das artes em Nova York

A história de vida do desenhista começou longe dos holofotes da fama. Nascido na Alemanha em 1937, em uma família de origem judaica, ele precisou fugir do regime nazista ainda quando era um bebê de colo.

A família passou por diversos lugares do mundo para se salvar. Eles moraram em Xangai, no Tibete, em Israel e na França, até conseguirem se fixar definitivamente na cidade de Nova York, quando Peter tinha 16 anos.

Já nos Estados Unidos, o jovem estudou artes plásticas e abriu seu próprio estúdio de design gráfico em 1961. Em pouco tempo, o estilo vibrante de suas criações chamou a atenção do mercado publicitário e virou um sucesso comercial gigantesco, originando dezenas de produtos licenciados.

Amizade com astros do rock e retratos de presidentes

As visões artísticas de Peter Max eram muito influenciadas pela astronomia e pelo clima das viagens psicodélicas. Suas imagens com estrelas, pombas brancas e borboletas coloridas eram presença constante nos quartos da juventude daquela geração.

O pintor também se tornou amigo próximo de grandes astros da música mundial. Ele chegou a retratar ícones do rock como os Beatles, o guitarrista Jimi Hendrix e o cantor Mick Jagger, dos Rolling Stones.

Na política internacional e no meio pop recente, sua presença permaneceu forte. O ex-presidente americano Ronald Reagan era um fã declarado do seu trabalho, e o artista também chegou a pintar retratos da cantora Taylor Swift nos últimos anos.

Problemas com a Justiça e disputas na família

Apesar do visual alegre e otimista de suas telas, a vida pessoal do desenhista enfrentou momentos bastante difíceis e polêmicos fora dos estúdios.

Em 1997, ele se declarou culpado em um processo de fraude fiscal. A Receita Federal dos Estados Unidos acusou o pintor de esconder mais de 1 milhão de dólares em ganhos com a venda de suas obras de arte.

Por conta dessa condenação na Justiça, Max teve que pagar multas pesadas, prestar serviços comunitários e cumprir uma pena em regime de trabalho externo para quitar as dívidas com o governo americano.

Nos últimos anos de sua vida, já com a saúde fragilizada pela demência, o artista ficou no meio de uma disputa judicial violenta entre seus filhos e sua segunda esposa. A briga por dinheiro e acusação de maus-tratos terminaram de forma trágica com o suicídio da esposa, Mary Max, no ano de 2019.

Como o legado do artista impacta a arte até hoje

A produção de Peter Max ajudou a popularizar o uso de cores primárias fortes e traços marcantes na comunicação visual do dia a dia. Esse estilo abriu portas para a arte de rua e para o grafite contemporâneo que vemos espalhado por muros e galerias do Rio de Janeiro.

Os filhos do desenhista, Adam e Libra, divulgaram mensagens emocionadas destacando a gentileza do pai e o desejo de que o público se lembre da alegria que suas obras levaram para o mundo.

Para os fãs de arte visual que desejam conhecer o acervo do artista, o material oficial permanece preservado por meio de fundações culturais nos Estados Unidos e em exposições virtuais de grandes museus internacionais.

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