Uma força-tarefa interditou dois ferros-velhos clandestinos na Rua Itapeva, no bairro Monjolos, em São Gonçalo, na quarta-feira (16). Os locais não tinham licença, poluíam o solo e obstruíam calçadas residenciais com restos de veículos.
Interdição de depósitos clandestinos em Monjolos expõe riscos aos moradores
A ação conjunta foi realizada após vizinhos encaminharem diversas reclamações sobre o funcionamento irregular dos estabelecimentos. Os dois terrenos pertencem ao mesmo proprietário e operavam sem ter Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) registrado.
Quando os agentes chegaram ao endereço, encontraram uma montanha de carcaças de carros empilhadas logo na entrada. Peças metálicas, motores velhos e latarias cobertas de ferrugem ocupavam a passagem, forçando pedestres a andar pelo meio da rua.
Os estabelecimentos funcionavam em uma área estritamente residencial, montados sobre terrenos de terra batida sem qualquer proteção estrutural. A falta de piso concretado e de cobertura adequada criava um ambiente propício para acidentes e contaminação do ambiente.
Sujeira, carcaças acumuladas e indícios de queimadas
Técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) participaram da vistoria e constataram contaminação direta do solo. Óleo de motor, fluídos de freio e combustível escorriam diretamente para a terra sem nenhum tipo de canalização ou contenção.
Além da poluição química, os fiscais identificaram marcas recentes de queimadas nos terrenos. Essa prática é usada de forma ilegal para queimar fios de fiação elétrica e isolamentos plásticos para extrair cobre e alumínio, gerando fumaça tóxica para as casas vizinhas.
A sujeira acumulada também preocupava quem mora no entorno. O acúmulo de água da chuva dentro de pneus, latarias e peças velhas transforma esses depósitos irregulares em focos diretos para a proliferação do mosquito da dengue e outros vetores.
Investigação sobre peças roubadas e poluição ambiental
O proprietário dos dois ferros-velhos e o filho dele foram identificados no local e levados para a sede da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA). Os dois prestaram depoimento oficial e são investigados por suspeita de receptação de peças de procedência ilícita e crime ambiental.
Todo o material apreendido nos dois terrenos será recolhido e levado para empresas especializadas e cadastradas na reciclagem de sucata metálica. A destinação correta impede que as peças retornem para o comércio ilegal de autopeças na região metropolitana.
A investigação policial busca agora mapear a origem dos carros desmanchados no local. A polícia quer saber se os veículos ali cortados eram fruto de roubo ou furto na Baixada Fluminense e em municípios vizinhos.
Como fica a região nos próximos dias
Com a interdição oficial, os dois estabelecimentos estão proibidos de receber novas peças, realizar desmanches ou efetuar qualquer tipo de venda. Os acessos aos terrenos foram bloqueados pelas equipes de fiscalização da Prefeitura de São Gonçalo.
A circulação na Rua Itapeva deve voltar ao normal conforme a retirada das peças da pista e da calçada for concluída. A limpeza total do local será fiscalizada pelos órgãos municipais para garantir a segurança dos pedestres.
Moradores do bairro Monjolos podem continuar informando a presença de movimentos suspeitos ou tentativas de reabertura dos portões. O monitoramento da área será mantido por patrulhas comunitárias e fiscais de posturas.
Quem responde pela fiscalização e operação
A força-tarefa foi coordenada pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RJ), órgão responsável pelo cadastramento e regulação de empresas de desmontagem no estado do Rio de Janeiro.
A operação reuniu policiais militares do Comando de Polícia Ambiental (CPAM), agentes civis da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), técnicos ambientais do Inea, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro e fiscais da Secretaria de Ordem Pública de São Gonçalo.
O trabalho integrado entre Estado e Prefeitura visa combater o desmanche clandestino, que financia o roubo de veículos e degrada o meio ambiente nas cidades da região metropolitana.
Como denunciar um ferro-velho irregular perto de você
Se você mora perto de um depósito de sucata que funciona sem autorização, polui a rua ou causa barulho excessivo, é possível denunciar de forma totalmente anônima. A participação da população é fundamental para fechar locais desse tipo.
Para fazer uma denúncia ao Detran-RJ, utilize o canal oficial OuveRJ pela internet ou pelo portal do governo estadual. Informe o endereço completo, ponto de referência e o tipo de irregularidade observada no local.
Denúncias de receptação, desmanche de carros roubados e crimes ambientais também podem ser feitas ao Disque Denúncia do Rio de Janeiro pelo telefone 2253-1177, que atende 24 horas por dia. O sigilo é garantido em todas as ligações.















