Maus-tratos em creche de São Gonçalo são investigados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro após denúncias envolvendo crianças de 2 a 4 anos em uma unidade particular no bairro Pacheco, na Região Metropolitana. O caso ganhou repercussão depois que vídeos começaram a circular nas redes sociais.
Segundo relatos de pais e responsáveis, alunos da creche teriam sido submetidos a agressões dentro da unidade. As imagens mostram duas mulheres, apontadas como funcionárias do local, ameaçando e agredindo crianças. Familiares afirmam que algumas das vítimas seriam crianças autistas não verbais.
Uma mãe contou que o filho, de apenas 2 anos, frequentava a creche desde bebê e apresentava sinais frequentes de que algo estava errado. Na época, ela acreditava que o comportamento e as marcas poderiam estar ligados ao processo de adaptação escolar.
“Ele chorava muito, ficava doente, aparecia com marcas no corpo. Teve uma vez que apareceu com uma mordida no rosto e me disseram que ele tinha caído na piscina de bolinhas. Depois, começou a chegar em casa dizendo: ‘A titia machucou, a titia bateu’. Como ele tem dois anos, eu não levava a sério porque ele não conseguia explicar direito”, relatou a mãe ao jornal O Dia.
Após a divulgação dos vídeos, a mesma mãe afirmou temer que o filho também tenha sido vítima de agressões dentro da unidade.
“Depois dessas imagens, eu não gosto nem de pensar no que meu filho passou lá dentro”, desabafou ao jornal O Dia.
Outra mãe relatou que o filho dela aparece em um dos vídeos, de cabeça baixa, sendo ameaçado por uma das funcionárias. Ela disse ainda que já havia procurado a direção da creche para reclamar que o menino voltava para casa com arranhões nas costas.
De acordo com outros relatos de familiares, mães já haviam questionado anteriormente a direção da unidade sobre hematomas e marcas nos corpos das crianças. Segundo alguns pais, duas funcionárias que aparecem nas imagens não retornaram à creche desde que os vídeos começaram a circular.
Ainda conforme informações repassadas por mães de alunos, a creche está fechada por tempo indeterminado. O jornal O Dia informou que tentou contato com a responsável pela unidade, mas não obteve retorno até o fechamento da reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
A Polícia Civil informou que o caso foi registrado na 74ª DP, em Alcântara. Os agentes analisam imagens de câmeras de segurança para esclarecer os fatos e identificar as responsabilidades.
A investigação também é acompanhada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. O caso segue em apuração e deve ouvir familiares, funcionários e demais pessoas que possam contribuir para esclarecer o que aconteceu dentro da creche.














