Bebê de 8 dias é internada na UTI em Realengo após morte da mãe

A recém-nascida Jade Duarte de Moura, de apenas oito dias de vida, está internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal do Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste do Rio. A bebê foi intubada dois dias após a morte de sua mãe, Jéssica Duarte Gonçalves, de 28 anos, ocorrida na mesma unidade de saúde.

Suspeita de infecção e investigação sobre o atendimento

Segundo familiares da criança, existe a suspeita de que Jade tenha contraído uma infecção com características parecidas com a que causou o falecimento da mãe. A bebê nasceu no dia 8 de setembro no Hospital Maternidade Mariska Ribeiro, em Bangu. A criança chegou a receber alta médica inicial e foi levada para casa, ficando aos cuidados da família paterna.

Entre a noite de segunda-feira e a madrugada de terça-feira, a recém-nascida começou a chorar intensamente e apresentou febre alta. A família buscou atendimento primeiro em uma unidade da rede particular, onde exames preliminares de sangue e urina foram feitos, mas a bebê acabou liberada sob a justificativa de que seriam cólicas. Com a permanência dos sintomas e a piora no quadro de dor, os parentes decidiram procurar o pronto-socorro do Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo.

Na unidade de Realengo, a equipe médica de plantão identificou a gravidade da situação e decidiu pela internação imediata na UTI neonatal. A direção do hospital confirmou que a recém-nascida deu entrada no final da tarde de terça-feira e recebe todo o suporte necessário, informando também que o quadro de saúde permanece grave.

Entenda o caso da morte da mãe no Albert Schweitzer

A mãe da criança, Jéssica Duarte Gonçalves, deu à luz Jade no Hospital Maternidade Mariska Ribeiro, em Bangu. Poucas horas após o parto, a jovem começou a se queixar de fortes dores na região abdominal. De acordo com a família, ela recebeu medicação para dor e foi liberada para retornar para casa.

Como as dores persistiram e se intensificaram, Jéssica voltou à maternidade no mesmo dia. A direção do Mariska Ribeiro informou que a paciente apresentava sinais de atonia uterina, uma complicação em que o útero não consegue se contrair adequadamente depois do nascimento do bebê. Devido ao agravamento do estado de saúde, Jéssica precisou ser transferida para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, onde veio a falecer após um quadro de infecção generalizada. A causa exata do foco infeccioso continua sob apuração.

Como fica a situação das investigações

A família de Jéssica denuncia uma possível negligência médica durante o primeiro atendimento prestado na maternidade em Bangu. O caso foi registrado e está sendo apurado pela 34ª DP (Bangu). A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro já realizou a perícia técnica e segue colhendo depoimentos de parentes e profissionais de saúde.

A direção do Hospital Maternidade Mariska Ribeiro declarou que instaurou um procedimento interno para revisar todos os prontuários e etapas do atendimento prestado à jovem. Paralelamente, a direção do Hospital Municipal Albert Schweitzer afirmou que está oferecendo suporte psicossocial e repassando as informações médicas atualizadas diariamente para os familiares do bebê.

O que fazer em caso de suspeita de erro ou negligência médica

Moradores da Zona Oeste e de qualquer região do Rio de Janeiro que enfrentarem problemas de atendimento ou suspeita de negligência em hospitais e maternidades públicas têm canais oficiais para registrar denúncias e buscar orientação legal:

  • Ouvidoria Geral da Secretaria Municipal de Saúde (SMS): Central de atendimento pelo telefone 1746 (funciona 24 horas) ou pelo site oficial do 1746.
  • Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro: O registro de ocorrência pode ser feito presencialmente na delegacia do bairro onde ocorreu o fato (neste caso, a 34ª DP em Bangu) ou pela Delegacia Online.
  • Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ): Recebe denúncias ético-profissionais contra condutas médicas pelo site oficial da instituição ou presencialmente na sede do conselho.
  • Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro: Presta assistência jurídica gratuita para famílias de baixa renda por meio do telefone 129.

Como denunciar irregularidades no atendimento de saúde

Para registrar reclamações sobre falta de atendimento ou má conduta em serviços de saúde da rede pública ou privada, o cidadão pode recorrer também aos órgãos de proteção ao consumidor e ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

O MPRJ recebe denúncias relativas à saúde pública através da Ouvidoria, pelo telefone 127 (de segunda a sexta-feira, em horário comercial) ou pelo formulário eletrônico no portal do órgão. É importante guardar comprovantes de atendimento, receitas, boletins médicos e nomes dos profissionais envolvidos para anexar à denúncia.

Foto: O Dia

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