O julgamento do caso Henry Borel entrou em sua etapa mais decisiva nesta quarta-feira (3), com a fase de debates entre acusação e defesa no Tribunal do Júri. O Ministério Público fez críticas aos réus Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e Monique Medeiros, enquanto os advogados dos acusados reforçaram suas teses de inocência diante dos jurados.
Durante sua sustentação, o promotor Fábio Vieira afirmou que todos os elementos reunidos ao longo da investigação apontam para um comportamento extremamente violento de Jairinho. Segundo ele, o ex-vereador apresentaria características compatíveis com um “psicopata severo”. Já em relação a Monique Medeiros, o representante do Ministério Público declarou que ela demonstra “traços de narcisismo” e teria ignorado sucessivos sinais de que o filho sofria agressões.
Ainda segundo a acusação, Henry teria dado diversos indícios de que vivia uma situação de violência. Um dos episódios destacados foi o relato feito pelo menino ao pai, Leniel Borel, sobre um “abraço forte” dado por Jairinho, interpretação que, para o Ministério Público, representava um pedido indireto de ajuda.
O assistente de acusação Cristiano Medina também demonstrou confiança em uma condenação dos dois réus. Em sua avaliação, as provas reunidas no processo indicam que Jairinho teria submetido a criança a agressões, enquanto Monique teria conhecimento da situação e falhado em seu dever de proteção. O advogado ainda destacou que, conforme consta nos autos, a mãe de Henry teria mantido planos de casamento com Jairinho mesmo após a morte do filho.
Do outro lado, a defesa de Monique Medeiros sustentou que ela jamais teve conhecimento das agressões sofridas pela criança. O advogado Hugo Novais argumentou que sua cliente estaria sendo responsabilizada apenas por ser mãe e afirmou que não existem provas concretas de que ela tenha contribuído para a morte do filho.
“Monique está sendo acusada de praticar o homicídio contra o seu filho, na modalidade da omissão. Uma mãe não mata o próprio filho. No dia 12, quando Monique estava no salão, ela liga, fala com a babá. Ela não teve tempo de perceber que aquele era um sinal do SOS para o seu filho.” (em depoimento no Tribunal do Júri).
A advogada Florence Rosa também criticou a atuação da acusação e afirmou que a dor do pai de Henry não pode servir como instrumento de vingança contra Monique. Em sua fala, ela rebateu as acusações de que a ré seria uma pessoa fria ou indiferente ao ocorrido.
Já a defesa de Jairinho voltou a sustentar que a lesão que causou a morte de Henry poderia ter ocorrido antes da criança chegar ao apartamento onde morava com a mãe e o então companheiro. Os advogados apresentaram a tese de que um acidente de carro poderia ter provocado a laceração hepática identificada nos exames e classificaram a denúncia como resultado de uma suposta perseguição liderada pelo pai do menino.
Nos interrogatórios realizados anteriormente, Monique afirmou acreditar, atualmente, que Jairinho foi o responsável pelas agressões contra Henry e declarou que viveu um relacionamento marcado por manipulação psicológica. Já o ex-vereador negou qualquer ato de violência e insistiu que todas as acusações contra ele são baseadas em especulações e interpretações equivocadas.
Com o encerramento das sustentações, os sete jurados do Conselho de Sentença deverão responder aos quesitos formulados pela Justiça sobre a autoria e a materialidade dos crimes atribuídos a cada réu. Após a votação, caberá à juíza Elizabeth Machado Louro anunciar a sentença e definir eventuais penas, encerrando um dos julgamentos de maior repercussão do país.
A expectativa em torno do desfecho mantém a atenção de todo o Brasil, enquanto os detalhes apresentados no plenário continuam alimentando um caso que marcou a opinião pública e ainda desperta forte comoção.














