Julgamento de Monique Medeiros segue após ré passar mal no Tribunal do Júri

Jairinho e Monique no banco dos réus

O julgamento de Monique Medeiros teve um momento de tensão na manhã desta sexta-feira (29), no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio. A mãe do menino Henry Borel passou mal durante a sessão e precisou receber atendimento médico no local.

De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio, Monique se sentiu mal ao ver imagens do corpo da criança, exibidas durante o depoimento do médico legista aposentado e perito Luiz Carlos Leal Prestes. A equipe de saúde foi acionada a pedido dos advogados de defesa.

Apesar do episódio, o julgamento não chegou a ser interrompido. Monique foi dispensada de acompanhar o restante da sessão desta sexta-feira e deverá retornar ao plenário neste sábado (30).

O mal-estar ocorreu enquanto o perito comentava as lesões identificadas no corpo de Henry. As imagens eram exibidas em uma tela para auxiliar a explicação técnica durante o depoimento.

Luiz Carlos Leal Prestes afirmou que as lesões encontradas na criança não tinham relação com manobras de massagem cardíaca realizadas no hospital. A tese é usada pela defesa de Jairo Souza Santos Junior, o Jairinho, para contestar a acusação.

“Houve um homicídio por espancamento, esse menor chegou sem vida a esse hospital. A multiplicidade de lesões em sítios diferentes fez com que, inequivocamente, se concluísse que essa criança foi agredida e por isso houve a hemorragia interna”, afirmou Prestes durante o julgamento.

O perito também declarou que a laceração hepática apontada no processo teria ocorrido ainda em vida. Segundo ele, não seria possível haver hemorragia interna sem circulação sanguínea.

“Não poderia haver hemorragia interna se não houvesse circulação. Portanto, essa laceração hepática ocorreu em vida e não tem relação com a massagem cardíaca”, declarou.

Jairinho e Monique são julgados pela morte de Henry Borel, ocorrida em 2021, quando o menino tinha 4 anos. O caso teve grande repercussão nacional e voltou ao centro das atenções com o início do julgamento no Tribunal do Júri.

A defesa de Jairinho nega que ele tenha agredido a criança. Os advogados sustentam que os ferimentos teriam sido causados durante o atendimento médico realizado no hospital para onde Henry foi levado.

Durante o depoimento, o perito também descartou a hipótese de acidente doméstico. De acordo com ele, a criança apresentava 17 lesões externas, inclusive na cabeça.

“O acidente doméstico está completamente descartado. Isso é uma versão fantasiosa”, destacou o perito.

O julgamento ainda deve ser longo. Até o momento, apenas dez testemunhas foram ouvidas, e a expectativa é que os trabalhos continuem por vários dias.

Depois dos peritos previstos para esta sexta-feira, ainda deverão prestar depoimento outras testemunhas de acusação, incluindo Leniel Borel, pai de Henry. Em seguida, será a vez das testemunhas de defesa indicadas pelos réus.

Somente após essa etapa ocorrerão os interrogatórios de Jairinho e Monique. Depois, acusação e defesa apresentarão seus debates antes da decisão do Conselho de Sentença.

Participantes do julgamento estimam que a sessão possa se estender por cerca de mais uma semana até a definição do veredicto. Enquanto isso, o caso segue acompanhado de perto pela Justiça, familiares e pela opinião pública.

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