Influenciador baleado por PM critica lentidão da Justiça

Protesto por Igor Melo

A espera por Justiça é angustiante para o influenciador Igor Melo de Carvalho, baleado há dois meses pelo policial militar reformado Carlos Alberto de Jesus, na Penha, Zona Norte do Rio. Apesar da denúncia do Ministério Público por tentativa de homicídio duplamente qualificado, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro ainda não expediu o mandado de prisão preventiva solicitado pela Polícia Civil há mais de um mês. Enquanto isso, o PM segue em liberdade, o que gera preocupação para a vítima e sua família.

Em entrevista ao jornal O Dia, Igor Melo afirmou que já esperava certa morosidade no processo judicial, mas não esconde o sentimento de frustração e insegurança diante da impunidade. “Eu não quero dinheiro, eu quero que ele pague. Saber que ele ainda está solto não me dá medo, mas me deixa com receio de que algo aconteça, não só comigo, mas com minha família, amigos e colegas de trabalho que acabaram expostos nessa situação toda”, desabafou o influenciador, que também é torcedor símbolo do Botafogo.

O crime ocorreu quando Igor foi confundido com um assaltante e atingido por tiros disparados pelo PM reformado. Além da acusação contra Carlos Alberto, a esposa dele, Josilene da Silva Souza, responde por falso testemunho, agravando ainda mais o caso. Mesmo com a gravidade dos fatos, o Tribunal de Justiça ainda não tomou uma decisão sobre o pedido de prisão.

Igor, que ficou três dias preso injustamente após ser incriminado pelo casal, revelou que estuda processar o Estado. “Agora estou estudando entrar com uma ação contra o Estado porque fui incriminado e preso por três dias por um crime que não cometi. Sou mais um sobrevivente de um sistema brutal. O que aconteceu comigo acontece com muita gente no Rio, todos os dias”, destacou, reforçando a necessidade de responsabilização.

Os impactos físicos e psicológicos ainda marcam a rotina do influenciador. Ele perdeu um rim devido aos ferimentos e realiza sessões de terapia quatro vezes por semana para lidar com o trauma. Apesar das dificuldades, Igor tenta reconstruir sua vida e retomar a carreira, agora como comentarista esportivo na Rádio Craque Neto.

A solidariedade dos torcedores do Botafogo e da população tem sido um alívio em meio à luta por Justiça. “O que me mantém de pé é o reconhecimento na rua. As pessoas me dizem que torcem por mim. A torcida do Botafogo me abraçou”, afirmou emocionado.

O delegado Leandro Gontijo, da 22ª DP (Penha), responsável pelas investigações, destacou que a prisão preventiva do casal foi solicitada ainda em março, após a conclusão do inquérito. O Ministério Público acatou a denúncia, mas o Tribunal de Justiça segue sem uma resposta definitiva.

Enquanto isso, cresce a pressão por uma resposta mais célere das autoridades. O caso de Igor se tornou símbolo de um problema recorrente no Rio de Janeiro: a violência policial e a demora na punição de agentes de segurança envolvidos em crimes.

O influenciador segue em busca de justiça, tentando equilibrar o processo de recuperação com a esperança de que os responsáveis sejam finalmente punidos. A expectativa é que o Tribunal de Justiça analise o pedido de prisão nos próximos dias, dando uma resposta à sociedade e, principalmente, à vítima, que convive diariamente com as marcas deixadas pelo episódio.

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