Igreja de São Francisco de Paula questiona leilão de áreas ligadas ao Reviver Centro

Igreja de São Francisco de Paula

A Igreja de São Francisco de Paula questiona oficialmente o leilão marcado pela Prefeitura do Rio envolvendo quatro áreas anexas ao templo histórico no Centro da cidade. Os terrenos, hoje administrados pela paróquia e utilizados como estacionamento, são avaliados em cerca de R$ 1,5 milhão e representam uma das principais fontes de receita para a manutenção do edifício tombado.

O valor arrecadado, estimado em R$ 25 mil mensais, é destinado à conservação da própria igreja, ao apoio de outras paróquias e a ações de preservação do patrimônio religioso da região. A paróquia afirma que tentou, sem êxito, convencer o município a desistir da desapropriação, sustentando que as áreas fazem parte do conjunto histórico e funcionam como proteção física para o templo tombado pelo Iphan.

Uma das críticas apresentadas está ligada ao projeto urbanístico associado ao Reviver Centro. O edital prevê a possibilidade de construção de prédios de até 22 metros de altura nos terrenos, o que, segundo a igreja, pode impactar diretamente o conjunto arquitetônico e descaracterizar a ambiência histórica da São Francisco de Paula. A instituição também alega que o Iphan não foi consultado sobre os possíveis efeitos das intervenções.

No campo jurídico, a paróquia decidiu contestar o leilão. Entre os pontos citados está a regra que impede proprietários do imóvel expropriado de participar da disputa, o que, na prática, impediria a própria igreja de tentar recomprar os espaços. Além disso, representantes afirmam que não tiveram acesso detalhado aos processos administrativos da desapropriação e que a avaliação dos terrenos estaria aquém dos valores praticados no mercado imobiliário da região central.

Além da função financeira e de apoio estrutural, os terrenos guardam elementos simbólicos. Uma pintura de São Miguel Arcanjo, bastante venerada pelos fiéis, está localizada em uma das áreas que serão levadas a leilão.

A Prefeitura do Rio, por sua vez, defende o projeto, destacando que os lotes fazem parte do Reviver Centro — iniciativa voltada para a reocupação residencial da região central, com foco na construção de moradias e estímulo à vida urbana no entorno do templo.

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