O governo do Estado do Rio iniciou o processo para adquirir 22 veículos blindados com o objetivo de reforçar ações de segurança em regiões dominadas por facções criminosas e milícias. A medida, ainda em fase de licitação internacional, busca garantir maior proteção a servidores e internos durante operações classificadas como de alto risco. O documento técnico que embasa o processo destaca que o Rio quer comprar 22 blindados com níveis de blindagem B6 e B7, capazes de transportar até dez agentes armados.
Segundo a proposta, quatro dos veículos serão destinados à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), que utilizará os caveirões em escoltas, transporte de presos e ações de recaptura em áreas controladas por grupos como Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro, Amigo dos Amigos e milícias. Os outros 18 blindados serão direcionados à Polícia Civil.
Os veículos terão tração 4×4, motor a diesel, câmbio automático com pelo menos sete marchas, sistema de freios ABS, janelas blindadas com seteiras e capacidade para armamentos coletivos. O projeto também inclui sistema de extinção de incêndio interno, espaço para equipamentos e guincho elétrico.
A secretária da Seap, Maria Rosa Lo Duca Nebel, afirmou que essa será a primeira vez que a pasta contará com blindados próprios. “Os blindados vão dar mais envergadura e proteção aos nossos grupamentos especiais, que atuam na linha de frente do sistema penitenciário”, destacou.
O texto técnico justifica que apenas 14% dos presos beneficiados com saídas temporárias retornam ao sistema, e parte dos foragidos se refugia em favelas de difícil acesso. Nessas localidades, o patrulhamento convencional é inviável devido ao risco de emboscadas e ao armamento de guerra usado por criminosos.
As viaturas atenderão, além da rotina carcerária, a três grupamentos táticos da Polícia Penal: o SOE (Serviço de Operações Especiais), a Recap (Divisão de Busca e Recapturas) e o GIT (Grupamento de Intervenções Táticas). Cada modelo será distribuído em duas unidades para a Seap, enquanto a Polícia Civil ficará com o restante.
Apesar da publicação da ata de registro de preços, a compra ainda não está garantida. A licitação está marcada para o dia 19 de agosto. Segundo a Seap, apenas um dos veículos possui verba disponível até o momento. A contratação só ocorrerá após a homologação e cumprimento de exigências técnicas, como testes internacionais e certificação do Exército Brasileiro.
O antropólogo e ex-chefe do Estado-Maior da PM, Robson Rodrigues, questionou a justificativa da Seap. “Parece não ser essa uma competência legal da Polícia Penal. Proteção ao servidor é essencial, mas deve respeitar os limites legais”, afirmou.














