Falta de verbas agrava abandono do Campo de Santana no Centro do Rio

Abandono do Campo de Santana

A crise no abandono do Campo de Santana, no Centro do Rio, se agravou nos últimos anos diante da falta de repasses para a prometida revitalização. O parque histórico, palco de momentos marcantes da história brasileira, como a coroação de Dom João VI e a Proclamação da República, apresenta atualmente lagos secos, bancos quebrados, sujeira, insegurança e estruturas deterioradas.

Conforme a matéria de Rafael Nascimento, Eduardo Pierre, Betinho Casas Novas, da TV Globo, em visita recente ao local, a reportagem registrou problemas já denunciados anteriormente, como em 2023 e em 2019. Animais abandonados, presença constante de pessoas em situação de rua e a ausência de vigilância reforçam a sensação de abandono. Moradores e frequentadores relatam medo e frustração diante da situação do parque, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A revitalização do espaço chegou a ser anunciada em 2022, por meio de um convênio de R$ 15 milhões entre a Prefeitura do Rio, o Governo do Estado e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). O objetivo era recuperar jardins, lagos, monumentos e portões históricos, além de instalar um novo sistema de segurança e reabrir os banheiros. No entanto, apenas R$ 900 mil foram repassados, e o projeto foi travado.

Neste ano, o prefeito Eduardo Paes declarou que não aceitaria mais os recursos do TCE, criticando a interferência do tribunal na destinação de verbas públicas. Com isso, o município assinou o distrato e devolveu o valor com juros e correção monetária. Segundo a Prefeitura, a manutenção básica continua sendo realizada, mas não há previsão de reforma estrutural com recursos próprios.

Frequentadores, como a operadora de caixa Vanilza Medeiros e a auxiliar administrativa Sumara dos Santos da Silva, lamentam a situação atual. “Hoje eu não posso trazer minha filha para cá. É perigoso”, disse Sumara. “Não tem segurança, só limpeza básica. Está largado”, afirmou Vanilza.

A ONG de protetores de animais que atua no local também denuncia a ausência de estrutura adequada para abrigar os bichos. Segundo Luciane Carvalho, que cuida diariamente dos animais, o parque abriga gatos, cotias e pavões, mas carece de abrigos e pontos de alimentação.

A Guarda Municipal afirmou que realiza patrulhamento preventivo no local. Já o programa Segurança Presente disse que não atua na parte interna do parque. A Polícia Militar informou que há uma viatura baseada em frente ao Campo, responsável pelo entorno e a Avenida Presidente Vargas. Entretanto, nenhuma das forças apresentou números concretos de prisões ou apreensões na área.

O Tribunal de Contas do Estado confirmou que ainda acompanha, por meio de auditoria governamental, os recursos envolvidos no convênio com a Fundação Parques e Jardins, mas informou que não houve decisão sobre o tema em plenário até o momento.

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