O governo do Rio poderá assumir operação dos trens de forma interina a partir do dia 18 de julho, quando se encerra o contrato de concessão da SuperVia. A possibilidade foi discutida durante reunião da Frente Parlamentar Pró-Ferrovias Fluminenses, realizada no fim de semana na sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Fabrício Abílio, presidente da Central Logística — vinculada à Secretaria Estadual de Transportes — explicou que, até a conclusão da nova licitação, a operação poderá ser assumida pelo Estado. O novo modelo de concessão, segundo ele, será baseado na distância percorrida pelos trens, e não mais no número de passageiros transportados ou valor de outorga.
“Dessa forma, descola-se o valor da tarifa da monetização do operador. Isso abre espaço para decisões de Estado, como a gratuidade nos finais de semana ou tarifas mais acessíveis. Com isso, conseguimos oferecer um serviço de melhor qualidade a um preço mais justo”, afirmou em declaração durante a reunião.
A malha ferroviária atualmente operada pela SuperVia possui 270 quilômetros de trilhos, distribuídos em oito ramais e 104 estações, atendendo não apenas a capital, mas também outros 11 municípios da Região Metropolitana do Rio.
O deputado Luiz Paulo (PSD), coordenador da Frente Parlamentar, elogiou a proposta de mudança no modelo de concessão, destacando que ela já está sendo usada com o Consórcio Barcas Rio. “No momento, não vejo outro modelo melhor. Eu diria que é o único possível. A empresa vencedora da licitação assume a operação, mas a receita das tarifas vai para o governo, que a utiliza parcialmente para custear o contrato”, explicou.
Outra preocupação discutida foi a continuidade do serviço sem interrupções. O assessor jurídico da Agetransp, Yubirajara Correa, garantiu que o relatório final dos estudos será entregue em junho. “Nossa expectativa é de que todas as condições sejam atendidas para uma transição sem prejuízo aos usuários”, afirmou.
Durante a reunião, representantes de sindicatos de ferroviários demonstraram preocupação com os empregos dos trabalhadores que atuam atualmente na operação. Fabrício Abílio ressaltou a importância da mão de obra especializada e disse que o governo está disposto ao diálogo. “A qualificação desses profissionais é muito específica e altamente valorizada. Estamos abertos ao diálogo e a ouvir os pleitos dos sindicatos”, disse.
A Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) afirmou, por meio de nota, que o Governo do Estado está conduzindo a elaboração dos documentos necessários para a nova licitação, com participação de várias secretarias e órgãos. A estruturação do certame é coordenada por um Grupo de Trabalho criado por decreto.
Para garantir a continuidade e a qualidade dos serviços durante o período de transição, o governo já investiu R$ 110 milhões em melhorias operacionais. A previsão é de aplicar mais R$ 300 milhões nos próximos meses, visando evitar qualquer prejuízo à população.
A definição dos parâmetros técnicos e financeiros da nova concessão também contará com base em estudo técnico elaborado pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), considerada referência nacional no setor. O documento servirá como subsídio para o planejamento operacional da futura gestão do sistema ferroviário fluminense.
Com a possível gestão interina e um novo modelo de concessão em construção, o Estado do Rio busca reformular o transporte ferroviário para oferecer um serviço mais eficiente, justo e acessível à população. A expectativa é que o novo operador seja conhecido após a conclusão da licitação, ainda sem data exata definida.














