Tem uma coisa que acontece todos os anos no Rio de Janeiro e que, na minha opinião, ainda é pouco explorada pelo turismo.
A gente fala muito de Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Copacabana, praias, samba e carnaval. Tudo isso é maravilhoso e faz parte da identidade da cidade. Mas existe um espetáculo natural que acontece bem diante dos nossos olhos e que muita gente sequer sabe que existe.
Estou falando da temporada das baleias-jubarte.
Todos os anos, entre os meses de junho e agosto, milhares desses gigantes dos oceanos passam pelo litoral brasileiro durante sua migração. Elas saem das águas geladas da Antártida e percorrem milhares de quilômetros até chegar às águas mais quentes da nossa costa para reproduzir, ter seus filhotes e garantir a sobrevivência da espécie.
É impressionante pensar que um animal que pode chegar a mais de quinze metros de comprimento e pesar dezenas de toneladas passa tão perto do litoral fluminense.
Confesso que quando comecei a trabalhar com turismo receptivo, há muitos anos, também não tinha dimensão da importância desse fenômeno. A imagem que muita gente tem é que as baleias ficam apenas na Bahia, principalmente na região de Abrolhos. E de fato aquele continua sendo o principal berçário das jubartes no Brasil. Mas o Rio de Janeiro está cada vez mais presente nessa rota.
Quem trabalha no mar ou acompanha mais de perto a natureza já percebeu isso há algum tempo. Os registros aumentam a cada temporada e hoje já não é raro encontrar embarcações retornando com relatos de avistamentos praticamente todos os finais de semana durante o período.
Isso não aconteceu por acaso.
Durante décadas, pesquisadores, ambientalistas e instituições dedicaram esforços para proteger esses animais. O trabalho desenvolvido pelo Instituto Baleia Jubarte foi fundamental para a recuperação da espécie no Brasil. O que antes era uma população reduzida e ameaçada se transformou em um dos maiores exemplos de sucesso em conservação marinha no país.
E o melhor de tudo é que hoje qualquer pessoa pode presenciar esse espetáculo.
No Rio de Janeiro, já existem passeios específicos para observação de baleias, principalmente na região das Ilhas Cagarras. Embarcações saem logo pela manhã e proporcionam uma experiência completamente diferente daquela a que estamos acostumados a vender para os turistas.
Arraial do Cabo também se consolidou como um dos melhores lugares para observação. Em alguns dias, é possível avistar baleias não apenas do mar, mas também de pontos elevados em terra firme. Cabo Frio segue o mesmo caminho e se beneficia da proximidade com a rota migratória.
O mais interessante é que essa é uma experiência que agrada praticamente qualquer perfil de viajante. Famílias, casais, crianças, fotógrafos, amantes da natureza e até quem normalmente não tem o hábito de fazer passeios marítimos acaba se impressionando.
Mas existe um ponto importante.
Observar baleias não significa perseguir baleias.
Existem regras muito claras para garantir que a atividade turística não interfira no comportamento dos animais. As embarcações precisam respeitar distâncias mínimas, limitar o tempo de observação e evitar qualquer tipo de aproximação agressiva.
Por isso, vale sempre a recomendação de contratar empresas sérias e regularizadas. Além da segurança dos passageiros, existe a responsabilidade de preservar um patrimônio natural que pertence a todos nós.
Após tantos anos trabalhando com turismo, poucas experiências ainda conseguem me surpreender. Ver uma baleia-jubarte surgindo no horizonte continua sendo uma delas.
Talvez porque seja um daqueles momentos que nos lembram que o turismo não é apenas visitar lugares. É viver experiências que ficam na memória.
E poucas experiências conseguem fazer isso tão bem quanto observar um gigante do oceano cruzando as águas do litoral do Rio de Janeiro.
Às vezes, o espetáculo mais impressionante da nossa cidade não está na areia, nem nos monumentos.
Está no mar.














