Terminal intermodal em Botafogo enfrenta resistência de moradores do bairro, que defendem outro destino para um terreno de cerca de 5 mil metros quadrados pertencente à RioTrilhos. A área fica entre as ruas Professor Álvaro Rodrigues e General Polidoro e, segundo representantes locais, deveria ser usada para abrir uma nova via de ligação dentro da região.
A reação ocorreu após o vereador Flávio Valle apresentar ao prefeito Eduardo Cavaliere a proposta de transformar o espaço em um terminal intermodal de transportes. A ideia prevê a integração entre ônibus, transporte complementar, bicicletário e metrô, mas moradores alegam que a medida pode aumentar os problemas de trânsito em uma área já marcada por fluxo intenso de veículos.
Durante protesto realizado na manhã de sábado (30), representantes de associações locais decidiram encaminhar ofícios à Prefeitura do Rio e ao Governo do Estado. No documento, o grupo pretende defender a abertura de uma rua entre as duas vias e também a instalação de uma nova sede para o 2º Batalhão da Polícia Militar.
A presidente da Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (Amab), Regina Chiaradia, afirmou que a demanda pela ligação viária é antiga.
“Já tivemos cerca de 15 reuniões com o pessoal da RioTrilhos. O que a população quer é abrir uma rua no terreno ligando os dois lados do bairro. Para atravessá-la hoje, o morador tem que passar por um supermercado e, quando esse supermercado está fechado, ele precisa dar a volta pela Rua da Passagem, correndo mais risco”, disse.
Regina também defendeu que o terreno seja usado para abrigar a sede do batalhão da PM, que atualmente funciona em contêineres instalados na Rua Álvaro Ramos.
“Também queremos que seja instalada a sede do batalhão da PM ali, porque ela está alocada em contêineres na Rua Álvaro Ramos. Qualquer outro projeto que esteja rodando por aí não tem nosso apoio”, afirmou.
O vereador Pedro Duarte, presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara, informou que participou de uma reunião com representantes da RioTrilhos na última quarta-feira (27). Segundo ele, ficou acertada a realização de visitas técnicas ao terreno com a presença da companhia, da comissão e de técnicos da prefeitura.
A comissão também já encaminhou ofícios ao Governo do Estado e à direção da RioTrilhos pedindo estudos sobre a viabilidade de transferência da área para o município. A medida é vista como necessária para permitir a abertura da nova rua solicitada pelos moradores.
“A abertura do diálogo é um passo importante para, finalmente, atender à demanda da população. Já está muito claro que eles querem uma rua ali que possa ligar os dois lados do quarteirão, além da ida do batalhão para lá. É meio absurdo que os policiais estejam abrigados em contêineres há 11 anos. O jurídico da RioTrilhos, por sua vez, vai analisar nosso ofício; e as visitas técnicas possibilitarão uma visão mais adequada da importância e da viabilidade dos pedidos”, declarou Duarte.
O terreno é remanescente das obras da Estação Botafogo do metrô, concluídas na década de 1980. Atualmente, o espaço permanece fechado ao público e é usado como depósito de viaturas deterioradas da Polícia Militar.
A disputa pelo futuro da área promete seguir no centro das discussões em Botafogo, especialmente diante da pressão dos moradores por uma solução que melhore a circulação e dê novo uso a um terreno considerado estratégico no bairro.














