Garis da Comlurb exaltam profissão nos 50 anos da companhia

Caminhão e Gari da Comlurb

Nos 50 anos de história, os garis da Comlurb celebram com orgulho a profissão que desempenham nas ruas do Rio de Janeiro. A Companhia Municipal de Limpeza Urbana, considerada a maior da América Latina, foi criada em 1975 e, hoje, reúne mais de 19 mil funcionários. Desse total, 12.839 são garis que, diariamente, enfrentam sol, chuva e desafios urbanos para manter a cidade limpa.

De acordo com matéria de Rômulo Cunha, do jornal O Dia, a Comlurb chega ao cinquentenário com uma estrutura robusta: são 1.115 veículos, mais de 100 unidades operacionais espalhadas pelos bairros da cidade e uma atuação ampla que vai desde a coleta domiciliar até a limpeza de praias, encostas e espelhos d’água.

Simone Vieira, de 52 anos, é uma das colaboradoras que representam bem o espírito da companhia. Há 15 anos no serviço de roçada, ela afirma que vestir o uniforme da Comlurb é como vestir uma armadura. “Uma felicidade e um amor muito grande pela roupa que eu visto. É uma armadura. Nós somos guerreiros”, disse ela, que também é atleta e judoca do Flamengo, tendo representado o Brasil em campeonatos mundiais.

Outro exemplo é Valdeci de Boareto, gari há 28 anos e autor do livro “Comportamento que te salva”. Ele trabalha em uma escola pública na Zona Norte e realiza palestras pelo Brasil e até fora do país. “Aprendi tudo isso nas ruas do Rio. As pessoas precisam se colocar no lugar daquele que faz o trabalho de limpeza urbana”, afirmou. Em seu relato, destaca a importância da profissão para a saúde pública e o meio ambiente.

O gari mais conhecido da companhia, Renato “Sorriso”, também é lembrado como símbolo de inspiração. Após sambar na Sapucaí em 1997 enquanto trabalhava, virou ícone do Carnaval e chegou a participar da cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres. Para Valdo Luiz Conceição, colega de profissão, Renato é um divisor de águas. “Ele é nossa referência. A gente segue os bons”, declarou Valdo, que também viralizou ao dançar Flor de Lis durante a pandemia e é hoje maratonista amador.

A trajetória dos garis da Comlurb é marcada por superação. Muitos relatam como a companhia mudou suas vidas e proporcionou conquistas. “Essa empresa me fez realizar sonhos. Tudo que eu sou agradeço a ela. Nossa função é manter a cidade limpa e fazer o carioca e os turistas mais felizes”, disse Valdo, que sai diariamente de São Gonçalo para trabalhar no Centro do Rio.

Mesmo com histórias de superação, os desafios permanecem. O principal deles é o descarte irregular de lixo e entulhos, que gera pontos críticos em diferentes regiões da cidade. Esse problema, segundo a Comlurb, consome recursos extras e exige o uso de equipamentos que fogem da rotina. O presidente da companhia, Jorge Arraes, afirma que estão em andamento projetos voltados à economia circular, reaproveitamento de resíduos e expansão dos ecopontos.

“Pensando no lixo como um ativo, estamos desenvolvendo projetos como a triagem de lixo orgânico para geração de energia e o novo aterro de inertes em Gericinó”, explicou. A meta é dobrar o número de ecopontos até o fim do ano, saindo dos atuais 64 para cerca de 130.

Além do trabalho diário, a Comlurb realiza serviços como poda de árvores, limpeza em hospitais e escolas municipais, controle de vetores, pesquisas sobre lixo, remoção gratuita de entulho, revitalização de praças e até ações com garis alpinistas para limpeza em áreas de risco.

A empresa também se destaca pela inclusão: mais de 1.200 funcionários são pessoas com deficiência. Jorge Arraes reforça que o protagonismo dos garis é insubstituível. “Sem eles, não adianta termos bons projetos ou equipamentos modernos. Eles são a base da companhia”, declarou.

Ao completar 50 anos, a Comlurb se firma não apenas como uma companhia de limpeza, mas como uma instituição essencial para a saúde pública, qualidade de vida e sustentabilidade no Rio de Janeiro. E são os garis que, com dedicação e amor pelo que fazem, sustentam essa história.

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