Aos 91 anos, o ator Francisco Cuoco enfrenta uma fase delicada de saúde e vive recluso ao lado da irmã, Gracia, de 86 anos, em um apartamento na zona sul de São Paulo. Considerado um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, o artista tem passado por dificuldades físicas, usando sonda nasal, pesando cerca de 130 quilos e dependendo da ajuda de cuidadores para tarefas básicas, como se levantar ou tomar banho.
A situação foi revelada em entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, na qual o veterano falou com franqueza sobre os desafios que tem vivido. “Tenho alguns problemas de saúde, de locomoção. Mas… É suportável”, declarou. Além da dificuldade de locomoção, Cuoco enfrenta infecções nos rins e crises de ansiedade. Ele também tem precisado ir com frequência ao hospital, sempre com apoio de enfermeiros para se locomover com segurança.
Distante dos estúdios de gravação desde sua participação em “Salve-se Quem Puder”, exibida em 2020, Francisco tem dedicado o tempo ao repouso e a memórias da carreira. Embora não acompanhe mais as novelas, ele comentou que ainda assiste a telejornais e eventualmente vê algum filme. “Assisto ao jornal, alguma reportagem mais interessante. Mas perdi o interesse em novelas. Vejo filmes. Mas não sempre, porque eles são muito longos”, comentou o ator, com bom humor.
Mesmo diante das limitações, o artista mantém a lucidez e a capacidade de refletir sobre sua trajetória. Cuoco lembrou com carinho de papéis marcantes em produções como “Selva de Pedra” (1972) e “Pecado Capital” (1975), dois clássicos da teledramaturgia brasileira. “Lembro direitinho. É chocante, foram muitos encontros, muitos achados na teledramaturgia. Foi muito bom. Eu não sei o que seria da arte sem esses momentos preciosos. (…) Eu era especial. Tenho fotografia da época, e vejo que era um ‘galãzura’ mesmo”, brincou, relembrando com orgulho.
Segundo a reportagem, Francisco Cuoco deve ser homenageado em breve no programa “Tributo”, da TV Globo. A emissora chegou a entrevistá-lo em julho do ano passado, quando seu estado de saúde estava melhor. A homenagem deve celebrar não apenas sua longa carreira como ator, mas também sua importância histórica para a TV brasileira.
Durante a entrevista, o ator também falou sobre sua postura diante da vida e do trabalho, demonstrando uma visão serena da trajetória que construiu. “Sei que não foi à toa. Foi baseado em empenho, em entrega, em busca de igualdade. Passaram-se anos e experiências foram acumuladas. Eu perdia tempo, mas depois obtinha resultado. Foi bom. Agora quero tocar o barco. O próximo resultado está à frente”, afirmou, emocionando os leitores e fãs.
Cuoco, que estreou na televisão nos anos 1960, construiu uma carreira sólida, marcada por personagens intensos e carismáticos. Ele se destacou não apenas como galã, mas também como intérprete de figuras complexas, contribuindo para momentos memoráveis da dramaturgia nacional. Seu carisma, elegância e entrega o colocaram entre os maiores nomes da história da televisão.
Afastado do convívio público, mas ainda muito presente na memória de gerações de espectadores, Francisco Cuoco segue sendo uma figura querida e respeitada. Fãs, colegas de profissão e admiradores acompanham com carinho as notícias sobre sua saúde e celebram o legado deixado por um dos pilares da arte brasileira.














