Ancine analisa pedido de registro para ‘Dark Horse’, filme sobre Bolsonaro, em meio a polêmicas e resistência de exibidores.
O filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, deu um passo importante para chegar aos cinemas brasileiros. A distribuidora Europa Filmes protocolou junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine) o pedido de Registro de Obra Estrangeira (ROE), procedimento obrigatório para exibições comerciais de produções internacionais no país.
O requerimento foi apresentado em 22 de junho, mas a obra ainda precisa obter o Certificado de Registro de Título e a classificação indicativa do Ministério da Justiça. A Ancine aguarda esclarecimentos sobre filmagens realizadas em território nacional que, segundo o órgão, não foram comunicadas previamente, conforme exigem as normas.
A entrada da Europa Filmes ocorre após a Paris Filmes recusar a distribuição. Mesmo com a distribuidora definida, a estreia depende do interesse das redes exibidoras, que demonstram resistência por receio de baixa bilheteria e de acirramento da polarização política no período eleitoral. Conforme informações divulgadas pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, essas preocupações incluem a possibilidade de protestos e conflitos em salas de cinema.
Ancine cobra esclarecimentos sobre filmagens e produtora é alvo de questionamentos
A Ancine solicitou à produtora Go Up Entertainment esclarecimentos sobre a comunicação da produção da obra estrangeira “Dark Horse” em território brasileiro. A agência busca verificar se a empresa atuou como produtora principal ou prestou serviços para uma empresa estrangeira responsável pelo projeto, uma vez que filmagens internacionais no Brasil devem ser feitas sob responsabilidade de empresas registradas na Ancine.
A Go Up Entertainment, pertencente à jornalista Karina Ferreira da Gama, nunca lançou um longa-metragem no Brasil ou no exterior. Karina integrou o projeto por intermédio do deputado federal Mario Frias (PL-SP), autor do roteiro de “Dark Horse”. Ela também preside o Instituto Conhecer Brasil, que recebeu recursos de emendas parlamentares e está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) após repasse de R$ 2 milhões para produção de filmes.
Financiamento do filme “Dark Horse” gera repercussão política e disputa no TSE
A origem dos recursos para produzir “Dark Horse” é um dos pontos centrais da controvérsia. Reportagens do Intercept Brasil divulgaram mensagens em que o senador Flávio Bolsonaro cobra recursos do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção. Flávio Bolsonaro confirmou a captação de R$ 61 milhões junto a Vorcaro, pagos por meio de uma empresa ligada ao empresário para um fundo administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro.
As circunstâncias dessa operação foram questionadas, especialmente o uso de um fundo intermediário para a transferência dos recursos. Nem os envolvidos nem seus representantes explicaram o motivo dessa escolha financeira. As reportagens também levantaram a hipótese de parte dos recursos estar relacionada ao financiamento da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, o que gerou debate político.
TSE arquiva pedido de investigação sobre financiamento e estreia de “Dark Horse”
Antes mesmo de garantir uma distribuidora, “Dark Horse” chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em maio, o grupo Prerrogativas e o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) ingressaram com uma ação pedindo investigação sobre o financiamento da produção e a suspensão da estreia do filme até o fim das eleições presidenciais.
Os autores argumentaram que o longa poderia funcionar como “peça de comunicação política de enorme impacto” e configurar propaganda eleitoral “dissimulada”, financiada por recursos milionários de “origem suspeita”. Alegaram indícios de abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação, caixa 2, doação empresarial indireta e lavagem de dinheiro.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, arquivou o pedido por considerar que os autores da ação não possuíam legitimidade processual. Enquanto o debate jurídico e político continua, o futuro comercial de “Dark Horse” depende da conclusão dos procedimentos administrativos na Ancine, da obtenção da classificação indicativa e da adesão das redes exibidoras.














