O governador Cláudio Castro comemorou o resultado da megaoperação policial realizada nesta quarta-feira (29) nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Em coletiva de imprensa, o chefe do Executivo fluminense classificou a ação como “bem-sucedida” e afirmou que apenas os quatro policiais mortos são considerados vítimas oficiais até o momento.
Segundo ele, o número de mortos divulgado inicialmente — 64 — foi revisado para 58, levando em conta apenas os corpos levados ao Instituto Médico Legal (IML). No entanto, moradores relataram que mais de 60 corpos foram levados por populares até a Praça São Lucas, na Penha, o que pode elevar o total para mais de 120 vítimas.
Castro afirmou que as mortes se concentraram em áreas de mata e que as pessoas atingidas eram suspeitas de envolvimento com o crime. “O conflito foi todo na mata. Então, não creio que tivesse alguém passeando em um dia de operação. Podemos tranquilamente classificar como suspeitos e, se houver algum erro de classificação, será residual e irrisório. Ainda que se tenha alguma pessoa inocente nessa contagem, será absurdamente extraordinário e corrigiremos assim que os dados oficiais chegarem”, disse o governador durante a coletiva.
A operação, que mobilizou centenas de agentes e helicópteros, é considerada a mais letal da história do país, superando a ação registrada no Jacarezinho em 2021. O governo do estado sustenta que os números apresentados se referem apenas às vítimas oficialmente periciadas, enquanto entidades de direitos humanos e moradores afirmam que há subnotificação de mortos.
Comandada por forças estaduais e federais, a operação foi justificada como parte do combate ao crime organizado nas comunidades dominadas por facções. Autoridades afirmam que o avanço das organizações criminosas durante o período em que operações policiais estavam restritas pelo Supremo Tribunal Federal contribuiu para o crescimento do poder paralelo, ampliando o controle sobre áreas urbanas e serviços como internet, gás e TV a cabo.
Enquanto o governo defende a ação como necessária para restabelecer a ordem, organizações sociais e especialistas em segurança pública cobram transparência na apuração e apontam para possíveis excessos. A Secretaria de Segurança Pública informou que a contagem final de vítimas será divulgada após conclusão dos laudos do IML e do Instituto de Criminalística.
A megaoperação reacende o debate sobre a violência policial no Rio de Janeiro e o equilíbrio entre o enfrentamento ao crime e a preservação de vidas nas favelas.














