IML do Rio faz mutirão para reconhecer vítimas de operação com mais de 130 mortos

Corpos das Vítimas da Megaoperação no Rio

O IML do Rio suspendeu, nesta quarta-feira (29), todos os atendimentos de rotina para se dedicar exclusivamente à identificação das vítimas da megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, considerada a mais letal da história do estado. A medida emergencial foi adotada após o aumento no número de corpos encaminhados ao instituto desde a madrugada. Segundo as autoridades, o total de mortos pode ultrapassar 130, incluindo quatro agentes de segurança.

Os corpos começaram a chegar ao IML ainda durante a noite, depois que dezenas foram encontrados em uma área de mata no Complexo da Penha. Inicialmente, o balanço oficial da operação contabilizava 64 mortos, mas moradores relataram que ao menos outros 64 corpos foram levados à Praça São Lucas, na Estrada José Rucas. A soma dos números eleva as estimativas para 128 vítimas, o que reforça a gravidade da ação.

Para lidar com a sobrecarga, a Polícia Civil organizou uma força-tarefa e alterou o fluxo interno de trabalho. O atendimento aos familiares das vítimas passou a ser realizado no prédio anexo do Detran, ao lado do IML, onde cerca de 100 pessoas aguardavam na manhã desta quarta-feira para iniciar o processo de reconhecimento. O acesso ao edifício principal ficou restrito a peritos, policiais civis e promotores do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que acompanham os exames e as perícias.

O MPRJ também solicitou uma perícia independente no local, enviando técnicos para supervisionar a identificação dos corpos. O órgão informou que acompanha de perto os desdobramentos da operação e que irá avaliar as informações coletadas antes de emitir um posicionamento oficial sobre as circunstâncias das mortes.

Com o foco concentrado nas vítimas da megaoperação, o IML transferiu todos os demais atendimentos e necropsias de rotina para a unidade de Niterói, na Região Metropolitana. A medida busca garantir agilidade e condições adequadas de trabalho aos peritos diante da dimensão da tragédia, enquanto famílias seguem na fila em busca de informações sobre parentes desaparecidos após o confronto.

O cenário no entorno do instituto é de comoção e desespero. Parentes relatam longas horas de espera e incerteza, enquanto equipes de apoio psicológico e assistentes sociais tentam prestar suporte aos familiares. A expectativa é de que o mutirão de identificação se estenda pelos próximos dias, até que todos os corpos sejam reconhecidos e liberados para sepultamento.

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