Um dos nomes mais influentes do crime organizado do Norte do país, o chefe do tráfico em Rondônia, Luiz Carlos Bandera Rodrigues, conhecido como Da Roça ou Zeus, está na mira das autoridades fluminenses. Segundo investigações da Polícia Civil, ele assumiu o controle da venda de drogas e armamentos na comunidade da Muzema, Zona Oeste do Rio, e é apontado como um elo importante entre as facções de Rondônia e do Rio de Janeiro.
As apurações fazem parte da Operação Contenção, deflagrada na terça-feira (13) em quatro estados, a partir da 60ª DP (Campos Elísios), em parceria com o Ministério Público do Rio. Luiz Carlos segue foragido, mas foi um dos alvos de 22 mandados de prisão preventiva. Nesta quarta-feira, o Disque Denúncia divulgou um cartaz com seu rosto e apelidos, pedindo informações que levem ao seu paradeiro.
O criminoso, natural de Fortaleza, ganhou notoriedade em Vilhena (RO), onde consolidou seu domínio antes de ser preso em 2015. Na época, chegou a dividir cela com Fernandinho Beira-Mar no Presídio Federal de Porto Velho. Após ser solto, fugiu para o Rio de Janeiro durante a pandemia de Covid-19. Refugiado inicialmente no Complexo do Alemão, ganhou força dentro do Comando Vermelho e assumiu a Muzema, área antes dominada por milicianos.
As investigações mostram que o chefe do tráfico em Rondônia é extremamente metódico. Em planilhas detalhadas, ele registrava a compra de armamentos, incluindo dez fuzis e um fuzil .50 — equipamento capaz de derrubar um helicóptero — pelo valor de R$ 240 mil. Em fevereiro e março de 2023, ele teria investido mais de R$ 5 milhões em armas e munições.
O material apreendido levou a polícia a uma nova frente de investigação. Eduardo Bazzana, empresário do ramo de armas em São Paulo e presidente de um clube de tiro, foi preso sob acusação de fornecer armamento ao traficante. Análises do Coaf revelaram transferências de R$ 1,6 milhão feitas por pessoas ligadas a Da Roça para empresas de Bazzana. Os depósitos, em grande parte feitos via Pix e de forma fracionada, foram classificados como movimentações atípicas.
As ramificações do esquema chegaram até mansões nos condomínios Mansões e Novo Leblon, na Barra da Tijuca. Os imóveis, ligados a Jhonnatha Schimitd Yanowich, alvo de mandado de prisão cumprido em São Paulo, foram alvos de buscas. No local, os agentes apreenderam 16 fuzis, sendo dois de calibre .30 e outros com silenciadores, além de 20 pistolas, grande quantia em dinheiro, documentos e relógios de luxo avaliados em R$ 2,5 milhões.
De acordo com o Disque Denúncia, o chefe do tráfico em Rondônia também está envolvido em diversas outras atividades criminosas no Rio. Ele é acusado de comandar esquemas de venda de drogas, roubo de cargas e veículos, além de tomar imóveis e cobrar por serviços como gás, internet e TV a cabo em comunidades dominadas pela facção.
A influência de Da Roça se estende ao Complexo da Penha, onde conquistou a confiança de figuras importantes da cúpula do Comando Vermelho, como Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, um dos criminosos mais procurados do estado.
A Polícia Civil e o MPRJ continuam as investigações para localizar o paradeiro do traficante e desarticular toda a rede de apoio que o sustenta no Rio de Janeiro. A delegada Patrícia Uana da Rocha Cambraia, titular da 60ª DP e responsável pela operação, comanda os desdobramentos do inquérito iniciado após prisões em flagrante no início de 2023.
Com anonimato garantido, denúncias sobre o caso podem ser feitas pelos seguintes canais: (21) 2253-1177, WhatsApp (21) 2253-1177, ou pelo aplicativo Disque Denúncia RJ. A colaboração da população pode ser decisiva para capturar o criminoso e desmantelar um dos braços mais perigosos da facção no estado.














