Caso de injúria racial em Ipanema envolvendo argentina pode ter desfecho nos próximos dias

advogada argentina após ofensas racistas em Ipanema

O caso de injúria racial em Ipanema envolvendo argentina entra em sua fase decisiva e deve ter um desfecho nos próximos dias, segundo informações do Ministério Público. A advogada e influenciadora Agostina Páez responde na Justiça brasileira por um episódio ocorrido em janeiro, na Zona Sul do Rio, que repercutiu dentro e fora do país.

De acordo com a promotora Fabíola Tardin, a sentença pode ser anunciada ainda nesta semana. Em caso de condenação, existe a possibilidade de que a pena seja cumprida na Argentina, com base em acordos internacionais. Caso isso não aconteça, a acusada poderá enfrentar restrições para retornar ao Brasil até que todas as determinações judiciais sejam cumpridas.

Mesmo após deixar o país, a argentina segue respondendo ao processo. Ela retornou a Buenos Aires depois de pagar uma caução de R$ 97 mil e ter a tornozeleira eletrônica retirada. Desde então, voltou a se manifestar publicamente sobre o caso, com declarações que ampliaram a repercussão.

Em suas falas, a advogada chegou a afirmar que se tornou “inimiga número 1 do Brasil” e criticou a forma como brasileiros tratariam estrangeiros. Antes disso, ainda no país, declarou ter vivido um “calvário”, disse estar arrependida da maneira como reagiu, mas negou ter cometido racismo. Também alegou desconhecer a legislação brasileira sobre crimes raciais.

A promotoria destacou que o processo já passou pela fase de instrução, o que significa que novas situações ou conteúdos divulgados nas redes sociais não terão impacto na decisão. Entre os episódios recentes, chamou atenção um vídeo envolvendo o pai da acusada, que foi amplamente compartilhado, mas não será considerado no julgamento.

“Se fosse com os Estados Unidos, será que eles teriam a mesma atitude? Ela chegou à Argentina alegando que está sendo perseguida pelo Estado brasileiro. Mas os fatos não mostram isso. Ela estava numa festa e consumiu cerca de mil reais e, na hora de pagar, se negou. Foi nesse contexto que as ofensas se deram. É uma família de classe média”, afirmou a promotora em declaração ao jornal O Globo.

A própria Agostina também comentou o vídeo envolvendo o familiar, afirmando ter sentido “nojo” ao ver as imagens e que não tem relação com o conteúdo divulgado. Segundo ela, trata-se de uma situação lamentável, que não representa suas atitudes.

Outro ponto destacado pela promotoria envolve o valor pago pela acusada. Diferente de uma fiança tradicional, o montante foi destinado diretamente às vítimas do caso, e não ao Estado. A medida foi adotada dentro dos critérios legais e faz parte do andamento regular do processo.

“Esse caso ganhou repercussão internacional. Mas tudo seguiu o rito de um processo. Ela não estava numa cadeia, estava impedida de sair do país até que fossem concluídas todas as etapas antes do julgamento. E, diferente de uma fiança, em que o dinheiro vai para o Estado brasileiro, o valor pago por ela, além de mostrar o poder aquisitivo dela, vai direto para divisão entre as vítimas. Tivemos uma atuação técnica muito equilibrada”, completou a promotora.

O caso teve início em 14 de janeiro, quando a advogada foi filmada em frente a um bar em Ipanema fazendo gestos considerados racistas em direção a funcionários do local. A situação rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e passou a ser investigada pelas autoridades brasileiras.

Agora, com a fase de instrução concluída, a expectativa gira em torno da decisão judicial que poderá definir os próximos passos do processo. Existe ainda a possibilidade de um acordo que converta a pena em indenização às vítimas e prestação de serviços comunitários na Argentina.

Com repercussão internacional e desdobramentos delicados, o caso segue cercado de atenção — e a decisão pode marcar um novo capítulo importante na discussão sobre crimes raciais envolvendo estrangeiros no país.

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